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3 ótimos motivos para assistir “Infiltrado na Klan”

Luiz Henrique Oliveira230 views

Se há, atualmente, um filme que merece ser visto é “Infiltrado na Klan“. O diretor é Spike Lee, um mestre na arte cinematográfica que criou, aqui, talvez o seu melhor trabalho. Dessa forma, o longa é simplesmente imperdível.

O filme, que conta a história real de um policial negro que se infiltra na Ku Klux Klan, com a ajuda de um parceiro branco e judeu, é um dos francos favoritos ao Oscar 2019. De sua direção até a trilha sonora, passando pelas atuações, tudo está no lugar. Entretanto, “Infiltrado na Klan” é um filme, acima de tudo, importante para os dias de hoje.

Isso porque a mensagem que ele carrega é intensa que encontra eco em nossa vida cotidiana. E nos faz pensar: será mesmo que o racismo explícito da organização dos capuzes brancos acabou mesmo? Ou ele agora se encontra camuflado? Temos muitos indicativos de que o espírito da Ku Klux Klan continua vivo por aí. O longa faz questão de enfatizar isso: sua sequência final equivale a um soco no estômago.

Portanto, nada mais justo do que elencar os 3 principais motivos para você assistir “Infiltrado na Klan”. Dá uma olhada:

 

3 – “Infiltrado na Klan” é uma história real

Como já dissemos neste texto, “Infiltrado na Klan” é um filme absolutamente importante para os dias atuais. A mensagem que ele traz é poderosa e muito fácil de ser compreendida. Somente as pessoas de mente fechada e potencialmente racistas terão problemas para entender o que o longa quer dizer.

A surreal história de Ron Stallworth, interpretado aqui por John David Washington, é de cair o queixo. Sozinho, ele conseguiu peitar a organização mais racista da história ocidental, que se perpetuou na cultura de uma forma quase irreparável. E dissemos “quase”, porque esse homem, negro, montou um plano para fazer parte desse grupo para descobrir seus segredos. Dessa forma, ele impediu o seu avanço.

 

3 – Atuações impecáveis

John David Washington, filho de Denzel Washington, encontrou o tom certo para encarnar o “mocinho” do filme, Ron Stallworth. No começo ele surge relutante e até um pouco ingênuo, sem entender como o racismo causava uma enorme segregação nos Estados Unidos dos anos 70. Com o desenrolar da história, ele vai entendendo como isso o afetava diretamente. E não só a ele, mas também a todos os negros, que de uma forma ou de outra, se viam relegados a tarefas que os brancos se recusavam a fazer. Portanto, o trabalho de Washington aqui é fantástico.

Por sorte, não apenas ele brilha em “Infiltrado na Klan”. Seu companheiro de cena, Adam Driver, também passa por um arco de desenvolvimento. Ao conhecer Ron e ouvir sua ideia para entrar na Ku Klux Klan, ele tenta se esquivar argumentando que esse não era um problema dele. Porém, não demora muito para que ele perceba que, como judeu, ele também sofre preconceito. A partir daí, seu personagem cresce em dramaticidade e Driver consegue dar a ele a complexidade necessária para que possamos acreditar em suas intenções.

Vale destacar também o trabalho de Topher Grace, que faz o papel do líder da Ku Klux Klan, David Duke. O personagem é claramente racista, que enxerga os negros com a superioridade ariana que acredita ter em seu sangue. Dessa forma, ele se vê como um ser superior, encarregado de liderar seus “irmãos” na cruzada contra a raça que, segundo ele, “denigre a América”. O sujeito, na vida real, ainda está na ativa. Não sabe de quem se trata? Dá um Google usando o nome dele e coloque a palavra “Brasil” junto na busca e veja as suas últimas declarações…

 

1 – Uma mensagem importante

Todo mundo sabe que o racismo é intolerável. Qualquer pessoa com o mínimo de consciência sabe disso. Portanto, é fácil entender a denúncia que “Infiltrado na Klan” procura fazer. Ao mostrar um fato acontecido nos anos 70, o diretor Spike Lee na verdade quer fazer paralelos com o nosso momento atual. E ele é muito feliz nessa tarefa, dado que entendemos facilmente o recado. Mostrando uma história que parece saída da cabeça de um roteirista imaginativo, mas que aconteceu de verdade, Lee aproveita para deixar várias mensagens escondidas durante a projeção.

Propositalmente, ele usa frases de políticos, colocada nas bocas e nos cenários das casas de membros da Ku Klux Klan. Dessa forma, ele conecta a história com a nossa realidade, trazendo uma verdade inconveniente: o racismo ainda está bem ativo por aqui. A Ku Klux Klan, como a conhecemos, pode ter perdido força, mas protestos dos supremacistas brancos em Charlottesville, ocorridos em 2017, deixam claro que a luta é diária e precisa continuar. Spike Lee mostra isso da forma mais literal possível, encerrando seu filme com uma mensagem clara.

E assim, ele coloca o dedo na ferida norte-americana, apontando a (falta de) consciência desses homens brancos e poderosos, que acreditam em superioridade racial, e que precisam ser combatidos para que não regridamos na defesa dos direitos humanos mais básicos. Assim, com tudo isso, “Infiltrado na Klan” é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos melhores filmes dessa década.

 

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.