A reinvenção do rock pelas mãos das mulheres • MAZE // MTV Brasil
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A reinvenção do rock pelas mãos das mulheres

João Neto991 views

Grandes nomes do rock mundial mantêm-se firmes e fortes. Bandas como Metallica, Guns and Roses e Kreator, que surgiram há décadas atrás, continuam na estrada. Eles estão fazendo shows gigantescos e com sucesso de público por onde quer que passem. Isso é inegável. O que também não dá para negar é que a maioria dessas bandas se sustentam com hits lançados quando a maioria de nós sequer tinha nascido.

Os álbuns mais recentes desses monstros do metal não chegam a fazer metade do estrondo que fizeram seus lançamentos mais antigos. Nos shows, vemos uma sucessão de músicas saudosas. Além disso, ainda temos os casos daquelas bandas que continuam fazendo show sem lançar sequer um único EP. Um bom exemplo disso é o caso dos líbano-americanos do System Of A Down.

O mercado de CDs atualmente é bem fraco, e algumas pessoas podem dizer até que a mídia está com os dias contados. Ainda assim, dezenas de bandas surgem todos os dias lançando os seus trabalhos. Dentre esses grupos, o que vem chamando atenção é a presença, cada vez mais forte, de mulheres em sua liderança. Entretanto, este é um trabalho nada fácil dentro de um gênero musical majoritariamente masculino. E isso vai desde os produtores e empresários até os donos das casas de shows onde as bandas se apresentam.

 

Uma nova cena musical

Evanescence durante performance em Manchester – Synthesis Tour

Alguns nomes já bem consolidados continuam ativos, exemplos como Amy Lee (Evanescence), Sharon Den Adel (Within Temptation), Lzzy Hale (Halestorm), Tarja Turunem, Simone Simons (Epica), Alison Mosshart (The Kills). Enfim, a lista é imensa e levaria horas para citar apenas algumas delas. Assim, nesse contexto, o que todas essas mulheres têm em comum?

Respondemos: a constante reinvenção daquilo que produzem, seja dentro de suas já famosas bandas, carreira solo ou trabalho conjunto com outros artistas. Não dá para negar as várias facetas que todas elas têm e a constante mudança na sonoridade de suas músicas.

Recentemente, os americanos do Evanescence lançaram o álbum “Synthesis”. Com duas músicas inéditas e dando uma roupagem diferente às músicas antigas da banda. Dessa forma, a obra já conta com a iminência do próximo álbum de inéditas da banda, em processo de criação. A holandesa Sharon Den Adel surpreendeu os fãs com um trabalho solo diferente de tudo aquilo que já tinha sido feito com o Within Temptation. Em 2018 Lzzy Hale e seu grupo lançaram o álbum “Vicious” que fez o bom e velho Hard Rock dar uma respirada depois de algum tempo.

Similarmente, fora do cenário convencional podemos citar dezenas de grupos menores que bebem de fontes clássicas para criar algo genuinamente fresco. Tatiana Shmaylyuk e sua brutalidade à frente dos ucranianos do Jinjer. Ritzy Bryan e sua voz doce e um talento incrível como guitarrista da The Joy Formidable. A californiana Chelsea Wolfe vem ganhando cada vez mais espaço no cenário musical, com o seu som que transita entre os elementos do rock gótico, doom metal e música folk.

 

A renovação necessária

Ritzy Bryan, vocalista e guitarrista da banda The Joy Formidable

Enquanto isso, a maioria das bandas de rock lideradas por homens parecem ter achado uma formula para as suas composições. Consequentemente, continuam repetindo-as na produção de músicas que parecem ser mais do mesmo. As mulheres, por outro lado, fazem uso de uma inovação que muitas vezes parece ser o que faltava. Inegavelmente, elas conseguem manter vivo um gênero musical que tem sido executado a tantos anos. Assim, metal e música clássica estão andando de mãos dadas. Usam bases de música eletrônica e instrumentos únicos da cultura de determinada região do planeta. Tudo isso contribui para uma renovação necessária em um gênero que parecia em um beco sem saída.

Torçamos, portanto, para que a renovação continue. Dessa forma, que nós sejamos contemplados com o invento de canções maravilhosas que têm sido, em sua grande maioria, fruto da inspiração delas: as mulheres.

João Neto
Paraibano de nascimento, atualmente morando em Curitiba, leitor assíduo, graduado em Biblioteconomia e livreiro por profissão com um vício intenso no consumo de séries e filmes e outro maior ainda em escrever o que achou deles.