Análise | Por dentro da seita ocultista de Bastille no clipe de "Blame" • MAZE // MTV Brasil
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Análise | Por dentro da seita ocultista de Bastille no clipe de “Blame”

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Que os vídeos do Bastille são bizarros não é novidade, e não foi diferente com “Blame”, nova track de trabalho dos meninos para seu Wild World, seu último disco lançado.

Hoje (15) eles liberaram o tratamento visual da faixa, onde mostra uma seita ocultista, cheia de simbologias (e beijo na boca, rs). Assista:

Vamos entender melhor agora?

Precisamos começar na raiz da coisa. Antes do lançamento do álbum, os garotos mostraram ao mundo o logo do projeto, que de novo não tem nada. O símbolo central mostrado, na verdade é Valknut, do paganismo nórdico, também chamado de “Nó dos mortos”, e tem por significado, entre outras coisas, o cosmo e o destino dos humanos.

Entre seus inúmeros deuses, o paganismo nórdico conta com o deus Odin, que em busca de sabedoria, entrega seu olho para Mímir em troca de um gole da fonte da sabedoria. Temos no centro do tema desse vídeo, uma fonte com uma boca, que pode ser a busca da sabedoria e seus ganhos. Em frente a fonte, há um olho em um quadro vermelho. O vermelho possivelmente sinaliza a realeza do olho – já que o vermelho por muito tempo era permitido apenas para a realiza, nesse caso Odin, o principal deus do clã dos deuses Asses.

Outra referência são as chamadas Bindrune, runas que são escritas e amarradas umas nas outras com algum objetivo específico. Bem no começo, no salão do culto, algo muito parecido com essas runas amarradas aparece desenhado no chão (mas não conseguimos decifrar qual seria ela especificamente).

Saindo um pouco da mitologia presente, há críticas nas cenas do vídeo. No decorrer do clipe, aparecem dois triângulos. O primeiro, no início, em vermelho significa fogo, e o segundo, perto do fim, em cinza significa água. Pela abordagem religiosa, poderia ser o fogo inicio de cada um apagado final pela religiosidade. Outro ponto é o momento onde os membros colocam a mão em uma almofada de tinta vermelha e pintam o quadro, que pode ser a entrega da identidade (a digital) para ser parte de uma religião.

Depois de muita água jorrando e explodindo, o grupo de adoradores fica de costas para o centro onde ficava a fonte que já não há mais, e uma das personagens aparece pedindo água e recebendo apenas uma gota. Seria um parâmetro das instituições religiosas que muito prometem e nada cumprem?

Mais uma vez, não temos a banda inglesa no vídeo (eles aparecem em uma foto só), mas contamos com uma subcelebridade no vídeo, Justin Jedlica, o Ken humano, como uma espécie de líder no fim do vídeo que dá uma gota de água apenas para uma devota com sede. Quem não o conhece, ele é um americano que fez vários procedimentos cirúrgicos para se parecer com o boneco Ken, da Barbie. Seria uma referência aos líderes religiosos que escondem suas verdades para conquistar novos adoradores?

Não achamos que se trata só de um vídeo cheio de simbologias, mas sim um  vídeo cheio de críticas também (assim como eles fizeram em “Fake it”).

Wild World já contou também com com clipes para “Good Grief” e “Send Them Off!”. Queremos mais, seus lindos.

Victor Cavalcanti
Comunicador formado pela Universidade Metodista, narcisista desde os 15 anos, artista desde sempre. O resto tu descobre por aí.