Resenha: "A Incrível História de Adaline" • MAZE
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Resenha: “A Incrível História de Adaline”, um filme sobre o amor e a influência dos astros

Sarah Lenievna3 comments27207 views

A Incrível História de Adaline (The Age of Adaline, no original) conta a história da personagem título, interpretada com sofisticação por Blake Lively, o que talvez faça com que o telespectador se lembre por diversos momentos da personagem que tornou a atriz conhecida no mundo todo: a igualmente sofisticada e elegante Serena van der Woodsen, do seriado Gossip Girl. Adaline é uma jovem americana, nascida em 1908 que, após um acidente de carro e uma coincidência de fatores climáticos, para de envelhecer. Mais uma vez, a premissa já explorada em clássicos como “O Retrato de Dorian Grey”, de Oscar Wilde, e a obra literária “As Intermitências da Morte”, do português José Saramago, trazidas à tona: a imortalidade e suas consequências.

O filme, com duração de quase 2 horas, passa surpreendentemente rápido. A vida de Adaline é contada desde o início e atravessa as décadas, levando consigo o telespectador, que é imerso no universo vintage dos anos 20, 30, 40, 50 e 60, até os dias atuais, onde a derradeira história de amor da personagem se desenvolve. Essa imersão é mérito, sem dúvida, da excelente produção de época realizada pela equipe de arte, extremamente charmosa e detalhada. Dos Cadillacs da década de 30, aos cabelos com tiaras dos anos 60, passando pelo glamour dos vestidos nos anos 50, nada foi esquecido. É interessante observar como Adaline, mesmo quando mostrada nos dias atuais, em nenhum momento perde seu estilo. Ela não usa bermudas ou jaquetas jeans, e sim calças de alfaiataria, sapatos oxford, saias longas plisadas, em cores serenas e clássicas, bem como os cabelos, sempre em ondas e soltos, jogados para o lado ou presos com presilhas. Um verdadeiro luxo, que mostra como a personagem, em nenhum momento, perde sua essência ou esquece suas origens.

66208-poster-oficial-de-a-incr-iacute-vel-diapo-2Depois de muitos romances interrompidos devido à sua condição, a história de amor que de fato é o elo do filme acontece entre Adaline e o apaixonado Ellis Jones, interpretado pelo sexy e talentoso ator Michiel Huisman (Game of Thrones, Orphan Black). No elenco, ainda temos a presença ilustre do eterno Indiana Jones, Harrison Ford, como o pai de Ellis e parte de uma grande coincidência na vida de Adaline.

As cenas iniciais, onde Ellis dá suas primeiras investidas são românticas e ingênuas. Inevitavelmente, toda história de amor tem um quê de pieguice, e essa não foge à regra. Assim como não se foge da pieguice, também não se escapa das cenas em que ocorre uma certa forçação de barra. Ok, estamos falando de uma história cujo pano de fundo tem traços místicos e fantásticos; mas para daí dizer que é verossímil uma pessoa em pleno século XXI, cuja aparência não denota mais que 30 anos, dizer que nasceu em 1908 e as pessoas acreditarem nisso, de primeira, sem nenhuma indagação ou descrença, é um pouco demais.

Apesar disso, e do fato da história ter uma certa previsibilidade, o telespectador não sairá frustrado da sala de cinema. Trata-se de um filme cuja imersão no tempo é tão profunda, que, antes que se perceba, já terá se chegado ao final da história. Uma produção delicada do início ao fim, e com uma excelente última cena.

“A Incrível História de Adaline” é um belo romance, onde o moderno e o antigo se fundem, proveniente da excelente fotografia e do clima invernal onde a trama se desenvolve. Um filme com final previsível, mas cuja lição de moral reforça algo que muitos recusam-se a aceitar: envelhecer, afinal, é um mal necessário. E que talvez a imortalidade, no final das contas, só seja tão cobiçada por nós por se tratar de algo impossível no mundo real.

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.