Crítica: "A Teoria de Tudo", uma breve história sobre o poder do amor e do tempo • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: “A Teoria de Tudo”, uma breve história sobre o poder do amor e do tempo

Sarah Lenievna2521 views

Eddie Redmayne não é um ator principiante. O britânico de 33 anos é dono de um Tony Award – o Oscar do teatro – estrelou um dos papéis principais no musical Les Misérables, como o apaixonado Marius Pontmercy, e atua em filmes desde 2006. Mais recentemente, faturou o Globo de Ouro de melhor ator em drama (que Benedict me perdoe, mas você não tinha chance nessa), por A Teoria de Tudo, além de ser um forte concorrente ao Oscar desse ano pelo mesmo filme.

É inegável que todo grande ator é celebrado por um determinado papel, associado à um grande personagem que tenha vivido na TV ou no cinema. Quem não associa – mesmo após 10 anos do fim da série – Jennifer Aniston à personagem Rachel, de Friends? Ou Marlon Brando à Vito Corleone, de O Poderoso Chefão? Al Pacino ao Tony Montana, de Scarface? Ao interpretar Stephen Hawking nas telas do cinema, parece que Eddie Redmayne também conseguiu o seu grande papel.

Stephen Hawking – mais conhecido pelo grande público pela sua voz “robótica” e sua aparência física do que propriamente pelos seus estudos – é um físico nascido em Oxford, Inglaterra, no ano de 1942. Membro de uma família intelectual, sempre foi apaixonado pela física e astronomia, pois o ajudavam a entender questões existenciais que intrigam a mente humana desde o início dos tempos. Em sua autobiografia, diz “eu queria sondar as profundezas do universo”. Ainda na universidade, após sucessivas quedas e a progressiva perda de controle sobre o próprio corpo, Stephen foi diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), uma doença que provoca a gradual e irreversível degeneração das células responsáveis pelos músculos do corpo, causando, à curto prazo, paralisia muscular, perda dos movimentos, e, consequentemente, da fala. Entretanto, o cérebro e as capacidades cognitivas não são afetadas, tornando a pessoa prisioneira de si mesma. Uma doença terrível na teoria, e assombrosa na realidade.

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Pôster do filme “A Teoria de Tudo”. (Universal Pictures)

Em A Teoria de Tudo, o foco principal está na vida pessoal de Hawking, na relação com a esposa, a estudante de Artes Jane Wilde – interpretada com muita competência e ternura por Felicity Jones – e na sua degeneração física. As questões científicas não são deixadas de lado, sendo pontualmente abordadas ao longo das 2 horas de filme, de forma que não se torne cansativo. O grande objetivo da vida de Hawking é estabelecer, em apenas uma equação, o começo de tudo. Como um relógio em sentido anti-horário, voltar no tempo e no espaço. Simples assim.

Eddie Redmayne, em um trabalho primoroso, transmite com o olhar uma sensibilidade tocante, capaz de levar às lágrimas. Felicity, não menos relevante, mostra toda a força e determinação que um ser humano pode ter, frente às maiores provações. Ambos os atores estão impecáveis. Com roteiro de Anthony McCarten, pontos cruciais na vida do cientista são retratados. Nem mesmo seu conhecido senso de humor (e sua fama de gostar de revistas pornôs) foram esquecidos, arrancando por diversos momentos risadas da platéia. A iluminação em determinadas cenas – em um túnel ou em uma festa, por exemplo – provocam a imediata associação com as luzes de satélites captadas do espaço, das constelações e do universo. O apagamento da tela, marcando o corte de determinadas cenas – após a queda brusca de Stephen ou o seu quase inaudível agradecimento à Jane – dão um toque especial e elegante. Um trabalho prodigioso, tanto por parte da atuação quanto da parte técnica.

A Teoria de Tudo, antes de qualquer definição, é um filme sobre um homem que não se rendeu a autopiedade e uma mulher admiravelmente forte, que permaneceram juntos ao longo de 30 anos, vencendo prognósticos e obstáculos. Não durou para sempre, é verdade. Mas se há algo que não podemos medir, é a importância do tempo. Não quando falamos de amor.

Para aqueles que já conheciam a história desse gênio, como eu, e para aqueles que nunca ouviram falar sobre ele, afirmo: vá ao cinema. Para aqueles que sempre odiaram física, como eu, e para os amantes das ciências, reitero: vá ao cinema. São altas as probabilidades matemáticas de você se perder no espaço-tempo de 2 horas de duração. E de sair completamente apaixonado pelo filme. Ou,  no meu caso, com o rosto encharcado de lágrimas.

O filme estreia em todo os cinemas do Brasil no próximo dia 29 de janeiro pela Universal Pictures.

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.