Crítica: "American Beauty/American Psycho", sexto álbum do Fall Out Boy • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: “American Beauty/American Psycho”, sexto álbum do Fall Out Boy

Gustavo Mata2349 views

Você lembrará de mim por séculos.

É o que entoa Patrick Stump em Centuries, lead single do recém-chegado às lojas “American Beauty/American Psycho”, novo álbum do Fall Out Boy. Dando um passo nada peculiar em sua carreira, o compacto é o trabalho mais pop do grupo até então e soa coeso, maduro e potente, pronto para funcionar em todos os lugares, seja em nossas playlists diárias, seja em baladas ou, principalmente, nas grandes casas e arenas de show.

Não, o disco não é uma obra revolucionária que transcende barreiras do pop e do rock, mas é uma mistura equilibrada entre os dois estilos que conquista e cativa o ouvinte, seja ele o mais xiita possível. Não há como não balançar o pé com a deliciosa “Irresistible”, abre-alas do LP e toda regada de trompetes fortes em meio aos vocais repetitivos de Patrick Stump, que vão grudar na sua cabeça feito chiclete. Stump, por sinal, se mostra cada dia mais confiante e apto a interpretar grandes canções e nos faz duvidar se sua capacidade vocal tem limites. Ele brinca com os tons, alterando entre falsetes e graves constantes, como em Novacaine, uma das faixas mais carismáticas, radiofônicas e saudosistas do projeto.

Assim como seu título sugere, AB/AP trabalha com as dualidades da banda e da natureza humana, tratando sobre sucesso, amores, perdas e conquistas. As composições são exímias, trabalho do genial Pete Wentz (baixista e a mente por trás de quase toda a obra do FOB), mas sem soar complexos demais ou adquirir tons muito políticos ou existenciais. O FOB nunca quis passar uma imagem de banda série e sempre trouxe um ar descontraído para sua obra, seja em sua imagem, som ou composições. “Uma Thurman” é um grande exemplo disso: a canção é uma homenagem à atriz e faz referência os passos de dança da atriz no filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino. Além da letra sensacional e o tom todo divertido da faixa, os caras foram no fundo do baú, especificamente aos anos 70, para samplear o tema do extinto seriado “The Munsters” (Os Monstros). E isso mostra o quão brilhantes o quarteto pode ser: mesmo passando uma imagem mais rock, o grupo vive e referencia a cultura pop a todo momento, ora ironizando, ora cultuando-a.

Mesmo após passarem um relativo intervalo de tempo separados (após finalizarem a divulgação do Folie à Deux, em 2009, o grupo anunciou um hiatos indeterminado e retornou apenas em 2012 com o “Save Rock and Roll”, seu quinto disco), o quarteto manteve a química e todos os integrantes se mostram cada dia melhores em suas posições. Andy prova ser um exímio baterista durante todo o compacto, mas é em Twin Skeleton’s (Hotel in NYC) que o músico se supera, brilhando em seus curtos solos de bateria e dando à música um ar épico e digno de atenção. Joe, por sua vez, rouba a cena com seus riffs pesados na faixa-título, a mais enérgica e intensa do CD, soando até mesmo nostálgica e remetendo aos trabalhos mais agressivos do FOB.

E é esse o sentimento que nos sobe quando escutamos o disco: nostalgia. American Beauty/American Psycho é um mosaico de toda a essência do Fall Out Boy, uma compilação de tudo que há e houve de melhor no grupo e a prova do quão surpreendente o quarteto de Chicago pode ser, mesmo sem nos apresentar nada de novo. “Favorite Record” traz resquícios da doçura ácida presente no From Under the Cork Tree,”Jet Pack Blues” a maturidade precoce do Infinity on High, mas tudo se encaixa e soa perfeitamente harmônico e atual. É um disco que traz o melhor lado da banda e reacende o adolescente dentro de cada um de nós, um presente que os fãs do grupo merecem. E bem, não há porque reclamarmos: a tarefa foi cumprida e estamos muito gratos, obrigado.

Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.