Crítica: Bastille, 'VS. (Other People's Heartache, Pt. III)' • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: Bastille, ‘VS. (Other People’s Heartache, Pt. III)’

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Desde o lançamento do Bad Blood, no início de 2013, os caras do Bastille ultrapassaram as fronteiras da terra da rainha e caíram no gosto do mundo inteiro. Rodando o globo para divulgar o seu maravilhoso álbum de estreia, o grupo logo tratou de trabalhar no sucessor deste, mas antes disso resolveu lançar mais uma mixtape – a terceira da sua carreira – a fim de compartilhar com o público um trabalho mais experimental e menos sério, se comparado com as músicas presentes em seu primeiro álbum.

Na última segunda-feira, finalmente chegou aos nossos ouvidos (de forma oficial, claro rs) o VS. (Other People’s Heartache, Pt. III), trabalho colaborativo dos britânicos com uma série de outros artistas. A ansiedade por parte dos fãs, inclusive de quem vos escreve, era enorme: além de terem lançado duas mixtapes maravilhosas nos últimos anos, o novo trabalho do grupo traz participações com poderosos nomes como o trio HAIM, a rapper Angel Haze e o produtor Grades. Mas, bem, o resultado não foi lá o esperado.

‘VS.’ soa destoada e completamente desnecessária na impecável discografia da banda. A mixtape logo começa com uma introdução sem qualquer conexão com as demais músicas e é seguida por um emaranhado de faixas mal finalizadas e de gosto duvidoso, como a estranha Bite Down, parceria com o trio americano HAIM. Não que a faixa seja ruim, longe disso, mas não é nada do que se esperaria de uma parceria entre dois dos maiores nomes no cenário alternativo atual. Em seguida temos uma nova versão de ‘bad_news’, faixa presente no EP de ‘Oblivion’. Se de início a faixa agradou os fãs, a nova versão, que traz vocais de MNEK somados ao de Dan Smith, é mal produzida e parece mais um remix caseiro feito por algum fã aspirante a cantor.

Porém, tudo melhora com The Driver, faixa previamente liberada pelo apresentador da BBC1 Zane Lowe para a nova versão da trilha-sonora do filme Drive. Uma balada simplista, a música traz vocais impecáveis de Dan (o que é aquele falsete no trecho big boys don’t cry?) e explode em um refrão muito bem instrumentado. É inegável que ‘Driver’ é a melhor faixa do projeto e um dos lançamentos mais certeiros do grupo até agora.

https://soundcloud.com/angthepianist/the-driver

Dando continuidade ao disco, ‘Axe To Grind’ é sombria e lembra um pouco as faixas presentes na primeira mixtape do grupo, mas não merece muito destaque, diferente da maravilhosa Torn Apart, primeiro-single do compacto. Com um pé na disco, a música é agitada na medida certa e mostra um lado mais comercial e eletrônico do grupo, se mostrando uma verdadeira surpresa no repertório mais alternativo e melancólico da banda.

Heartache III segue com a maravilhosa ‘Weapon’, música já apresentada pelo grupo em uma série de concertos e um trabalho conjunto com a rapper Angel Haze, o cantor Braques e o produtor/rapper F*U*G*Z. Mesmo que soe muito melhor ao vivo, a versão em estúdio da faixa se mostra interessante pela melodia inconstante, começando com um melódico violino que logo dá espaço para um raivoso baixo enquanto Angel entoa seus versos ríspidos e ferozes.

E, para finalizar o trabalho, temos a simplória Remains, que nada mais é do que uma versão semi-acústica de ‘Skulls’, previamente já liberada pela banda (e oficialmente lançada no All This Bad Blood). A música fecha o disco de uma forma maestral e prepara o público para o próximo disco da banda, que promete ser mais denso e voltado para o rock.

Mesmo sem acrescentar ao repertório da banda, Versus serve de presente para os fãs mais sedentos e como válvula de escape para que o Bastille compartilhe com o público algumas de suas inusitadas parcerias. Enquanto o segundo disco – planejado para o primeiro semestre do próximo ano – não sai, nós continuaremos a ouvir o Bad Blood. Mas valeu a tentativa, Dan Smith. Há quem vá gostar do VS mesmo assim.

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Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.