Crítica: "Birdman", uma história sobre a inesperada virtude da ignorância • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: “Birdman”, uma história sobre a inesperada virtude da ignorância

Thierry Santos3161 views

O diretor Alejandro González Iñárritu poderia ter investido uma fortuna em mais um filme sobre super-herói. Mas, ao invés disso, ele utilizou todas as suas habilidades como excelente diretor e filmou Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), um dos melhores filmes desta temporada e que traz, além de um bom elenco, diversas críticas e metáforas envolvendo a sétima arte e a indústria cinematográfica.

No filme, Michael Keaton interpreta, brilhantemente, o personagem Riggan Thomson que, no passado, fez enorme sucesso em Birdman, um filme que se tornou parte da cultura norte-americana. Mesmo sabendo que poderia brilhar ainda mais estrelando uma continuação do blockbuster, ele resolve trocar as telas cinematográficas pelo palco da Broadway, onde tenta reacender a carreira e provar, para si mesmo, à mídia e a todos, que tem capacidade de obter sucesso em uma peça teatral “cult”.

Para isso,  ele resolve escrever, dirigir e estrelar a adaptação de um livro lançado hábirdman-maze-critica-analise-opiniao-oscar décadas. Nessa peça, o elenco é formado por Lesley (Naomi Watts), Laura (Andrea Riseborough) e Mike Shiner (Edward Norton), que dificulta o trabalho de Riggan com certas manias e estrelismo. Para piorar, o relacionamento entre o ex-Birdman e sua filha, Sam (Emma Stone), não é muito satisfatório e a voz de seu antigo personagem o atormenta diariamente. Contudo, ele ignora a ideia de uma continuação da série Birdman e se esforça ao máximo para obter um excelente resultado na peça, nem que tenha que investir o máximo de dinheiro nisso.

Nesta película, Emma Stone não fica com a melhor atuação, mas reforça aquilo que todos nós já sabíamos: ela é muito mais do que apenas um rostinho bonito de Hollywood! Mike Shiner também é bastante convincente em seu papel, mas é Michael Keaton que, de fato, nos surpreende ao transpassar suas emoções. Além do elenco competente, o filme traz uma boa trilha sonora formada por percussões, e a bela fotografia de Emmanuel Lubezki, que em diversos momentos inclui tons azuis e vermelhos.

Outro aspecto muito bem colocado no filme é a própria edição, que dá a impressão de que ele foi inteiramente filmado sem qualquer corte. O roteiro bem equilibrado, que prende totalmente a atenção do telespectador, se utiliza do real e surreal para sustentar as críticas e diversas metáforas envolvendo os filmes de super-heróis, celebridades que se julgam artistas, e também egoístas que tentam se passar por jornalistas.

Críticas negativas a blockbusters que, para muitos não entram na categoria “Arte”, são bastante comuns. Raro é sair da zona de conforto e inserir este e outros questionamentos em uma película que agrega elementos técnicos satisfatórios.

Todavia, o diretor, que já realizou ótimos trabalhos no passado, conseguiu dar uma excelente base aos seus argumentos em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), tendo, assim, acrescentado mais uma bela obra em seu currículo. Agora, só nos resta esperar pelo próximo trabalho “cult” de Alejandro, sem muitas armas pesadas, bombas, explosões de helicópteros, guerra e homens fantasiados salvando o mundo por aí.