Crítica: "Cinderella", um live-action de contos de fadas pra ninguém botar defeito • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: “Cinderella”, um live-action de contos de fadas pra ninguém botar defeito

João Batista1 comment2588 views

“Tenha coragem e seja gentil”. É essa premissa que Cinderella carrega durante todo o decorrer de suas quase 2 horas de duração. A versão live-action de um dos mais majestosos contos de fadas adaptados pela Walt Disney foi anunciada há cerca de 2 anos atrás, e chegou com bastante força em circuito nacional no último dia 26 de março.

primeiro-poster-cinderella-disney-2015-maze-blogO elenco conta com Lily James (Downtown Abbey), Richard Madden (Game Of Thrones), Cate Blanchett (Blue Jasmine) e Helena Bonham Carter (Harry Potter e zilhões de filmes do Tim Burton) nos respectivos papéis de Ella, Príncipe, Madrasta e Fada Madrinha. É inquestionável que a escolha dos atores tenham sido o maior acerto da adaptação. Lily apossou-se de uma doçura ímpar e digna de princesa Disney; já Richard deu vida à Kit, um nobre personagem com uma característica bastante distinta do comum entre outros príncipes Disney: ao invés de ser apenas um “salvador de mocinhas indefesas”, foram proporcionados momentos onde ele pôde se mostrar cheio de empatia. Cate Blanchett, sem comentários… Na pele da ardilosa e caricata Lady Tremaine, ela soube ser a madrasta que nenhuma órfã gostaria de ter. A antagonista foi desenvolvida de tal forma que ganhou na releitura um bom contexto que “justifica” tal nível de perversidade, mostrando que ela não é má porque tem que ser.

Para quebrar a linha dramática, a diversão ficou por conta das cenas de Holliday Grainger (Anastasia) e Sophie McShera (Drisella), as escandalosas e egocêntricas irmãs postiças de Ella que acabaram ficando mais cômicas do que malvadas. Quem também rouba a cena e arranca boas risadas é Helena Bonham Carter com sua aparição relativamente curta, porém essencial.

Foi surpreendente ver um competente time de estrelas como este ser bem aproveitados nas mãos do diretor Kenneth Branagh, já conhecido por assumir a linha de frente de outros filmes de produções grandiosas como Thor (2011) e Operação Sombra – Jack Ryan (2013). Além desses dois bons blockbusters, vale lembrar que Kenny possui em seu currículo uma conceituada obra cinematográfica: Hamlet, baseado na obra homônima de William Shakespeare lançada em 1996. Quase 20 anos após emplacar elogios com a adaptação, ele mostrou-se estar em forma com o gênero épico/fantástico ao dirigir Cinderella. Até porque, no final das contas, todos os detalhes funcionaram bem para que a obra possa arrancar muitos elogios daqui a alguns meses.

E se já não bastasse o desenrolar da história, a direção de arte surpreende e dá continuidade à sua função de plano de fundo iniciada no momento em que o pôster fotografado por Annie Leibovitz foi divulgado para que a película se tornasse ainda mais bonita de se ver. Este quesito, aliás, obteve um grande destaque em grandes veículos de moda, como Vogue e Vanity Fair, além de ter incentivado vários estilistas (Christian Louboutin, Jimmy Choo, Manolo Blahnik, etc.) a lançarem suas versões do famoso sapatinho de cristal (veja aqui).

Depois do sucesso Malévola (leia nossa crítica), do ano passado, muitos tiveram receio de que a próxima adaptação live-action da Disney pudesse também vir cheia de reviravoltas e uma trama ultra elaborada e voltada para a ação. Mas Cinderella cumpre o prometido. Claro que houveram alguns pontos adicionais só pra dar um toque extra de tensão à trama, mas tendo em vista que este é um dos mais emotivos contos de fada, os produtores já sabiam que se muita coisa fosse mudada no roteiro, a coisa não poderia ficar muito boa. Os detalhes do conto original foram mantidos ao máximo e a fantasia adaptada para versão “carne e osso” é capaz de encher os olhos de quem assiste.

Mas é a lição moral que pega todos de surpresa no maior estilo “tapa sem mão”, mostrando que durante o filme inteiro a jovem Ella manteve consigo duas coisas que deveria ser indispensável na vida real. Não, não são fadas madrinhas e sapatos de cristal… Mas sim coragem e gentileza.

“They’re all looking at you.” “Believe me: they’re ALL looking at you.”

P.S.: A quem interessar, “Strong”, de Sonna Rele, é a música que toca nos créditos do filme, lá no finalzinho.

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.