Crítica: a acidez pop de Ed Sheeran no delicioso "x" • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: a acidez pop de Ed Sheeran no delicioso “x”

Gustavo Mata3405 views
Capa de “x”, segundo álbum de estúdio de Ed Sheeran. (Atlantic Records)

Parece que foi ontem que um ruivinho com sotaque britânico e composições cruas e sinceras conquistou o mundo. Depois de gravar uma série de EPs e mixtapes, Ed Sheeran comoveu multidões com o belo “+”, disco de sonoridade encantadora e letras bem construídas. Foram mais de três milhões de cópias vendidas e uma indicação ao Grammy de Canção do Ano (por ‘The A Team”, que acabou perdendo injustamente para a superestimada “We Are Young”, do fun.) e uma nova legião de fãs conquistados ao redor de todo o mundo.

Mesmo durante a promoção do disco, Ed não deixou de pensar no seu sucessor, e depois de quase três anos de inúmeras composições e muito trabalho duro, o projeto foi concretizado e, enfim, lançado. Assinado por uma série de produtores dos mais diversos estilos, x (multiply) é muito mais pop que seu antecessor, mas mais diversificado e interessante: é uma janela aberta para um cantor que se deixou experimentar mais e quis elevar a carreira a um novo patamar.

Sheeran trouxe um disco mais sarcástico e animado, uma mistura de música pop e outros estilos. As famosas baladas – estilo que consagrou o cantor – ainda estão presentes: “I’m a Mess”, “Bloodstream”, “Shirtsleeves” e outras preenchem a cota de letras emotivas e arranjos simplistas, mas passam longe de merecerem destaque. Mesmo apresentando uma nova sonoridade, algumas faixas calmas se sobressaem as demais, como é o caso da emocionante “Afire Love”, baseada na perda do avô de Ed para o Alzheimer, e “One”, sobre um amor incompreendido. Mas nada se compara a “Photograph” e “Runaway”: enquanto a primeira já foi apontada pela crítica como a nova “Angels” (música de Robbie Williams), a segunda é uma produção assinada por Pharrell Williams que parece ter escapado do Justified, debut solo de Justin Timberlake.

X traz também faixas ácidas, como “Don’t”, escolhida como segundo single. Uma letra mordaz descrevendo uma traição por parte de um “caso passageiro e sem compromissos”… Dizem por aí que é uma mensagem para Ellie Goulding. Ainda no aglomerado de músicas mais experimentais, temos a já conhecida “Sing”, primeira faixa de trabalho, outra produção de Pharrell, e “The Man“, onde Ed flerta com o cenário urban e “paga de rapper” durante a maior parte da faixa.

Porém, é na produção que o disco acerta: as faixas são impecavelmente bem produzidas e os vocais de Sheeran estão sensacionais. Os falsetes estão mais presentes do que nunca, tornando x admirável e plausível.

Em suma, Ed trouxe no segundo disco uma sonoridade mais agressiva, mas sem deixar sua essência romântica pra trás. Faixas brilhantemente trabalhadas mostram várias facetas do cantor, até então desconhecidas, e apresentam um compositor cada dia mais afiado. “multiply”, ironicamente ou não, é um divisor na carreira do Ed Sheeran.

Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.