Crítica: O caótico retorno de Linkin Park em "The Hunting Party" • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: O caótico retorno de Linkin Park em “The Hunting Party”

João Batista1 comment5732 views
Critica de The Hunting Party, novo álbum do Linkin Park 2014

Antes de mais nada, queria deixar claro uma coisa: é a primeira vem em toda minha experiência de blogueiro que eu decido resenhar um disco de rock. Então, peço que gentilmente relevem qualquer tipo de gafe nesse post, combinado?

Quando comecei a me interessar por música internacional de fato foi naquela epoca por volta de 2002/2003, quando o nu metal estava em alta. Evanescence, System Of A Down e muitas outras bandas desse gênero estavam em alta, assim como o Linkin Park. Nessa época, LP era respeitada pela sua perfeita dosagem entre rock e música eletrônica. Porém, com o passar do tempo, a banda começou a receber rótulo de banda ~coxinha por conta do crescimento de sua popularidade.

Além dessa certificação nada justa, muitos fãs começaram a perder sua paixão pela banda após um certo período – mais precisamente após o lançamento de Minutes to Midnight (2007), disco que divide opiniões até hoje pelo fato de mostrar um LP mais sereno e “radiofônico”. De lá pra cá, a reputação dos caras com esse tipo de fãs foi que nem Claudinha bagunceira: descendo a madeira, madeira, madeira…

Capa de “The Hunting Party”, sexto álbum do Linkin Park. (Warner Bros.)

E hoje, depois de três álbuns peculiarmente bons na minha opinião, a turma de Chester Bennington voltou com um álbum pra nenhum reclamão botar defeito: The Hunting Fuckin Party! Confesso que de primeira não estava tão empolgado com o material, levando em consideração a música “Guilty All The Same”. Acho ela um saco de chata. Por outro lado, achei válido que uma certa expectativa fosse gerada depois que soube que o disco teriam participações especiais (os famosos feats) em algumas faixas – fato inédito em toda a discografia da banda.

Se o lance dos feats foi algo estratégico para a banda chamar atenção pro novo disco eu não sei, mas que funcionou muito, isso eu posso afirmar! Muita cara nova se envolveu nos arranjos e em outros aspectos de produção, mas o que mais merece seu destaque nisso tudo é, sem dúvidas, Daron Malakian, vocalista da banda System Of A Down que participa na turbulenta faixa “Rebellion”. Daron é um dos fatores que contribuem para que The Hunting Party possa ser considerado, de longe, um dos melhores discos do Linkin Park.

No geral, The Hunting Party é bastante coeso. “Keys to the Kingdom” e “All or Nothing” proporcionam ao ouvinte um começo intenso, tão intenso a ponto de conseguir sustentar a chatura da faixa seguinte (“Guilty”). O caos continua reinando em “War” até o momento em que somos enganados por “Wastelands” e “Until It’s Gone” que nos levam a pensar que o disco está perdendo sua “força” e ficando estagnado, quando na verdade ainda temos outras maravilhas como “Mark The Graves” e “Rebellion” pela frente.

Outro fato interessante a ser comentado sobre The Hunting Party é que ele é notavelmente menos eletrônico – gênero este que, fundido com o rock, é marca registrada deles. Ouso até em dizer que THP é o que, até hoje, chegou mais perto do icônico Hybrid Theory, primeiro álbum da banda. Além disso, se você espera alguma faixa como “Shadow Of The Day”, “Iridescent” ou “Powerless”, pode largar suas esperanças e se contentar com, no máximo, “Final Masquerade”. E sem chiar.

Como o próprio tipo desse post já sugere, The Hunting Party é um disco dominado pelo caos. Acredito que Mike Shinoda e cia. já mostraram muita versatilidade sonora em três álbuns anteriores e que agora decidiram voltar à verdadeira essência da banda. Não vi esse disco como algo oh-meu-Deus-que-inovador, mas fiquei supreso com a maneira que a banda se reinventou. Em tempos de ~quanto mais sintetizado melhor~, nada melhor que um disco de um rock em sua forma mais crua para manter vivo esse estilo que desde sempre marcou presença de peso no cenário musical.

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.