Crítica: O retorno auto-reflexivo do Foo Fighters no álbum "Sonic Highways" • MAZE // MTV Brasil
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Crítica: O retorno auto-reflexivo do Foo Fighters no álbum “Sonic Highways”

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Capa do álbum "Sonic Highways", da banda Foo Fighters. (2014)
Capa do álbum “Sonic Highways”, da banda Foo Fighters. (2014)

Talvez tudo esteja conectado, talvez nada esteja conectado. Mas parece que o Foo Fighters resolveu assumir uma posição mais questionadora, filosoficamente falando, em Sonic Highways em comparação com o último disco da banda, lançado em 2011, Wasting Light. Do cara que suplicava por uma corda para ser salvo do precípicio, parece que Dave está dispensando ajuda agora, preferindo a solidão aos maus-entendidos. Talvez Dave Grohl e companhia estejam cada vez mais próximos de encontrar a tal luz perdida nas Rodovias Sônicas da vida. A capa do disco tem de um lado pontos turísticos da Califórnia, costa leste americana (o letreiro de Hollywood, por exemplo), e do outro, a capital Washington e Nova York, costa oeste, centros do poder e do business americano. Tudo isso com inúmeros prédios separando os dois extremos, a terra dos sonhos e a terra do trabalho, dois deles formando o símbolo do infinito. Talvez tudo esteja conectado, talvez nada esteja conectado…

A música de abertura, “Something from Nothing”, mais parece um desabafo de alguém que resolveu cair no mundo e dizer adeus pra tudo e todos, de forma até muito calma pros padrões Foo Fighteanos. Aquela agressividade dos riffs de guitarra e da bateria à la The Pretender chega num crescendo. À medida que a música se desenvolve, a raiva de Dave cresce. Aí é hora de gritar e bater muito cabelo, porque o momento catártico chegou. “The Feast and the Famine” tem várias pausas curtíssimas de uma frase pra outra que fazem lembrar o som quando não lê direito a mídia do cd. Mas, não. É só pra você ganhar fôlego mesmo pro refrão, que é pauleira. Is there anybody there? Com certeza, Dave.

“What Did I Do?/God as My Witness” tem uma pegada de trilha sonora pra filme da década de 90. Talvez por isso seja uma das mais legais do cd. Refrão ultramente viciante, e cadência deliciosa de se ouvir. A música é quase dividida em 2, com uma interrupção abrupta entre elas. A 2° parte, “God As My Witness”, tem uma onde até um pouco gospel. Já dá pra imaginar a galera abraçada no fim da balada – quando todo mundo já está mais pra lá do que pra cá – singing along “God as my witness, yeah it’s gonna heal my soul tonight…” Ou não.

“Outside”: Dave Grohl te chamando pras ruas. Literalmente.

“Congregation” e “In the Clear” são as duas canções menos surpreendentes do álbum. Sooam muito como algo que já se ouviu antes. Elas ajudam na harmonia do cd, porque todas as músicas conversam entre si. Ambas mostram alguém meio perdido, “arremessando facas no ar pra ver onde elas vão cair”, ou seja, jogando com a sorte, mas sempre começando e recomeçando, mesmo quando se tem vontade de desistir.

A busca pela auto-descoberta do Foo Fighters atinge seu ápice nessa quase balada (se é que uma música do FF possa ser classificada assim). Parece aquele momento em que todas as esperanças estão perdidas e você resolve apertar um belo “foda-se”. Mas calma, sempre dá pra começar de novo, só que talvez de forma mais subterrânea, com aquela busca pelo auto-conhecimento que vem lá de baixo, do fundo da alma.

Em “I’m a River”, parece que Dave finalmente encontra o seu “algo” no meio do “nada”, seguindo sua viagem pelos confins da Terra (ou da sua alma), como as águas de um rio que não param de correr e de se renovar.

Se o peso das músicas sai um pouco de cena, o mesmo não pode ser dito em relação à qualidade das letras. No auto dos seus 45 anos, Dave Grohl ainda é capaz de “amadurecer” e de se renovar nas composições. A viagem interna feita pela banda ao longo dos poucos mais de 40 minutos de Sonic Highways prova que, não importa quanto tempo passe, quantos novos grupos de rock surjam, o lançamento de qualquer álbum do Foo Fighters continuará a ser um evento.

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P.S.: Acho digno todo mundo ouvir esse cd, simplesmente porque os caras vão passar por 4 cidades do Brasil em janeiro do ano que vem com a turnê de Sonic Highways, começando em Porto Alegre, no estacionamento da FIERGS, no dia 21/01, seguindo para São Paulo, onde toca do Estádio do Morumbi no dia 23/01. Dia 25/01 é dia do Rio de Janeiro receber a banda, no estádio do Maracanã. Belo Horizonte encerra a turnê pelo país no dia  28/01, na Esplanada do Mineirão.

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.