Do Brasil pro mundo: um papo sobre a exportação da nossa música • MAZE // MTV Brasil
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Do Brasil pro mundo: um papo sobre a exportação da nossa música

Victor Cavalcanti1665 views

Pra quem acompanha o universo da música pop aqui no Brasil, não deve ser novidade que Anitta e seu Check Mate estejam levando a artista à um novo patamar, do nacional ao internacional. Mas pra quem vai mais fundo, deve saber que a exportação de artistas e das artes brasileiras não são de hoje.

Com essa pauta em alta, na última terça-feira (17) o Spotify juntou Alok, Alexandre Pires e Emmily Barreto (vocalista do Far From Alaska), três nomes brasileiros que fazem sucesso no exterior, para bater um papo sobre o tema no estúdio Trama em SP.

História

Antes de tudo, quem é o Brasil no exterior, em questão a música?

Podemos começar lá pelos anos 30 a 50, quando Carmem Miranda, cantora de musicais, se tornou ícone na época, e ainda hoje é referência do carnaval à própria cultura pop em geral. Vamos adiante nos anos 60 quando “Garota de Ipanema” tomou o mundo, ganhando até versão em inglês e vencendo o Grammy de gravação do ano em 1965. Com esses exemplos básicos, a gente já conclui que o amor pela nossa música não é de hoje, certo?

Carmem Miranda em “Uma noite no Rio” de 1941

A cultura do Brasil sempre foi algo presente no mundo, mas em uma escala menor. Com o passar do tempo, ali pelos anos 2000, com a introdução da internet e o êxodo da população brasileira pelo mundo, nossa música e artes tornaram-se cada vez mais presentes no âmbito internacional.

Quem tem uns 20/30 anos deve se lembrar do hit “Mas Que Nada” lá em 2006 de Sérgio Mendes & Black Eyed Peas, parceria que, no auge do grupo, levou o nome do brasileiro as paradas internacionais. Ainda pela mesma época tivemos nomes na cena alternativa que vinham do nosso solo, como CSS e Bonde do Rolê (essa última até assinou com o Diplo).

Sim, Sandy & Junior internacional e Wanessa Camargo na era DNA não rolaram lá fora, mas no geral, o tempo só foi bom pro Brasil e sua indústria musical. Além da já citada cena alternativa, o Brasil se destacou com nomes em outros estilos, como o EDM e o Rock.

Internet é a porta

O ponto mais claro em toda a conversa, vívido a todo momento, e unânime entre os artistas, era o fato de que o stream digital abriu portas as diversas formas, texturas e sonoridades. Pra figurar isso, Emmily contou a história de sua banda, que se iniciou ao vencer um concurso online para tocar no festival Planeta Terra, e que, ainda por meio da internet, levou a banda a ser reconhecida internacionalmente depois que Shirley Manson, vocalista do Garbage, elogiar a Far From Alaska, meses depois de conhecer as meninas no festival.

Far From Alaska no Festival Planeta Terra em 2012 | Foto: Reinaldo Canato/UOL

Alok também compartilhou suas experiências com as mídias online. O DJ contou que o sucesso de “Hear Me Now”, hit internacional, se deu apenas por conta dos streams, e que seu sucesso na internet levou sua música as rádios e televisões de forma totalmente orgânica, sem investir um centavo se quer nessas mídias offline.

Alexandre ainda indagou a necessidade dos produtos físicos, ao lembrar de seu último lançamento, que foi em março para as plataformas, mas chegou em versão física apenas três meses depois.

Cenas e colaborações

Questionada sobre a cena rock, Emmily disse que está melhor que nunca. Falando especificamente do rock, hoje, encontramos uma gama bem maior de estilos, artistas e bandas se permitindo explorar e colaborar com formas diferentes, e que isso ajuda muito quando você exporta sua música pra fora.

Como exemplo ela usou um fato recente, Far From Alaska deve entrar em turnê pelo França com uma banda famosa por lá, parceria que deve engajar seus fãs no país europeu. Ela ainda lembrou que “tá tudo misturado” quando o assunto é festivais e colaborações nos espaços nacionais e internacionais.

Alok no Festival Planeta Atlântida 2017 | Foto: Emmanuel Denaui/Preview

Falando sobre esse mix de estilos, Alok falou sobre sua parceria com Mick Jagger, e como ela poderia ter sido mais bem aproveitada, se mais investida no stream, já que foi pouco divulgada no online. Mais uma vez, a internet ditando o que fica.

Linguagem

Inglês e espanhol, são as línguas internacionais da música. E os convidados do Spotify Talks usam as mesmas para alavancar suas carreiras fora do Brasil.

Alexandre Pires mandou um aviso leve aos artistas brasileiros, a se “permitirem” explorar outras línguas, pois ele acredita que aqui temos muita gente talentosa e que merece ser mostrada ao mundo (nós também, Alexandre).

Emmily ainda recorda que, no inicio da carreira, já era cobrada pelos ouvintes da banda, e que achavam que ela deveria cantar em português. Hoje ela rebate dizendo que, se não cantasse em uma língua acessível como a inglesa, talvez não chegaria ao festival Download, na França ou outras paradas internacionais em suas turnês.

Emmily, Alexandre e Alok no Spotify Talks

Representatividade

“O brasileiro tem carência de representatividade”

Foi o que Alok disse quando o tema tomou rumo à presença de um brasileiro nas cenas internacionais. Hoje, todos os artistas presentes na conversa, tem um apoio muito grande do seu povo, mas isso se intensificou com a ascensão deles no mercado internacional. Alok até disse que agora, no mês que passa no Brasil faz cerca de 30 show, enquanto fora, faz metade deste número, ainda brincou dizendo que quando vai pra fora do Brasil consegue “tirar férias”, rs.

A gente consegue sentir isso forte, com todo o apoio que o povo brasileiro vem dando à carreira da Anitta. O brasileiro quer se ver representado lá fora, ainda mais se for por um som essencialmente nosso, como o funk.

Conclusão

Nós temos ouro na mão. O Brasil é rico de arte e de gente talentosa, mas acima de tudo, um povo cada vez mais orgulhoso e sedento por representação no mundo. Isso são armas poderosas demais, que podem não apenas levar talentos para fora, mas também levar nossa arte e estéticas próprias, como o funk e o samba. Tá bonito, mas pode ficar bem mais.

Pra aproveitar essa pegada internacional, criamos uma playlist com os artistas convidados e mais algumas faixas que chegaram mais longe que nossas terras lindas. Vem ouvir, que tem de tudo um pouco:

 

O MAZE agradece mais uma vez o Spotify Brasil pelo convite e parceria. ❤

Victor Cavalcanti
Comunicador formado pela Universidade Metodista, narcisista desde os 15 anos, artista desde sempre. O resto tu descobre por aí.