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Aquecimento “Covenant”: Relembre a franquia “Alien” em ordem cronológica

Luiz Henrique Oliveira3 comments26603 views

Com a estreia de Alien: Covenant, muitas pessoas podem estar confusas a respeito dos filmes anteriores dessa história que já virou praticamente uma saga cinematográfica.

“Covenant” é continuação ou prelúdio de Alien: O Oitavo Passageiro? A trama acontece antes ou depois de Prometheus? Tem ligação com os primeiros quatro filmes ou é algo solto que nem Alien vs Predador (bate três vezes na madeira aí!)? Por isso, estamos aqui para explicar para você que não se lembra ou não conhece quais são os filmes que compõem a trajetória daquele que provavelmente é um dos mais assustadores personagens criados pelo cinema: o xenomorfo.

Antes de falar sobre os filmes, vamos explicar: você sabe o que é um xenomorfo, para começo de conversa? A Wikipedia explica:

São seres de aparência similar a uma serpente, porém com pernas e braços (humanóides), cabeça alongada e sua famosa segunda boca, uma espécie de sub-mandíbula que eles mantêm dentro de suas bocas e que é de certa forma disparada para fora, porém continuando presa à boca do Alien, perfurando seus inimigos. Os Aliens, embora dependam das ordens da rainha para saberem o que fazer, tem uma inteligência individual bem aguçada, sendo capazes de raciocinar, criar estratégias, escapar de armadilhas e identificar hospedeiros “infectados” com seus ovos. Se assemelham muito a formigas, agindo segundo as ordens mentais de sua Rainha. A Rainha é dotada de inteligência e está conectada aos soldados por um elo mental. Sendo assim, tudo que um deles vê os outros vêem também.

Como você pode perceber, os Aliens criados na história original tem todo um background de criação bem construído, e isso é fácil de perceber na tela: nada do que eles fazem é gratuito, por acaso – são seres extremamente inteligentes e com ordem hierárquica. Resumindo: o xenomorfo é aquilo que normalmente a gente conhece como Alien, com a cabeça gigante e uma outra boca no lugar da língua.

Com o bicho apresentado, vamos mostrar a vocês os filmes, em sua ordem cronológica correta – e não a ordem em que foram produzidos. Assim vai ficar fácil perceber onde se encaixa cada história. Por esse motivo vamos ignorar totalmente a existência do crossover Alien vs Predador – até pelo bem da cultura cinematográfica. Vamos lá?

FRANQUIA “ALIEN” EM ORDEM CRONOLÓGICA

#01 – PROMETHEUS

A história de começa em algum momento do século XXI, quando dois pesquisadores encontram vestígios de vida alienígena em antigas pinturas na Terra, que acabam indicando uma espécie de mapa estelar que pode indicar como a civilização foi criada em nosso planeta, e a rota que leva aos criadores, chamados de Engenheiros.

Uma equipe é montada com o patrocínio do CEO de uma poderosa companhia para visitar a lua LV-223, destino final indicado no mapa encontrado nos desenhos terrestres. Além dos dois pesquisadores e uma equipe de tripulantes, estão a bordo a diretora da missão e um androide chamado David, que estuda a raça humana enquanto todos os outros dormem em sono criogênico na nave Prometheus, à espera do contato com os Engenheiros.

Evidentemente, as coisas não saem como planejado.

Quase 90% do filme mostra uma história com poucas ligações com o cânone original, mas é que descobrimos como os Aliens foram criados: eles são uma tentativa de modificação genética usada para fins bélicos pelos Engenheiros – uma experiência que, claro, deu muito errado.

Um desses Aliens, ao matar um dos Engenheiros, bota um novo em seu interior, criando uma modificação genética que gera um ser altamente inteligente, que veremos nos filmes a seguir.

#02 – ALIEN: COVENANT

Passados muitos anos depois dos eventos ocorridos na Prometheus, uma nave colonizadora chamada Covenant cruza o espaço em busca de um novo planeta para habitar. Dentro dela estão cerca de 2000 pessoas, que são mantidas em sono criogênico até que se encontre esse novo lar. Acabam encontrando um planeta paradisíaco, com todas as condições para abrigar a humanidade.

Ninguém da tripulação parece desconfiar do lugar – pelo contrário, ficam maravilhados com tudo que encontram. Mas eles não desconfiam que o planeta na verdade não é nada do que eles imaginam, e essa ideia só se reforça quando descobrem que o único habitante do local é David, o androide sobrevivente de Prometheus.

Essa sequência passou a ser bastante esperada desde o lançamento do filme anterior, que foi um sucesso de público, mas teve alguns narizes torcidos da crítica por conta do estilo da narrativa: ao contrário dos anteriores, Prometheus era um filme mais verbal, sem a mistura de ação com suspense que caracteriza os longas de Alien. A ideia era justamente focar em diálogos, explicar mais e mostrar menos – tanto que as coisas começam a se desenrolar de verdade na última meia hora. Em Covenant, a promessa é diferente.

RESENHA | “ALIEN: COVENANT” CONTINUA INTRODUZINDO O ICÔNICO UNIVERSO DE TERROR ESPACIAL

#03 – ALIEN: O OITAVO PASSAGEIRO

Enquanto isso, emendando na história de Covenant (que ainda não está completa), temos “O Oitavo Passageiro”, o grande clássico do gênero de ficção científica e inovador em muitos sentidos.

Mas antes de falar disso, vamos falar sobre a história: em algum momento no futuro, a nave Nostromo está voltando para Terra carregada de minerais. A tripulação recebe um sinal vindo de um pequeno planeta próximo, que eles interpretam como sinal de socorro. Chegando nesse planeta, a nave quebra e a tripulação se divide: uma parte fica para consertá-la, enquanto a outra monta uma expedição para procurar quem está emitindo o alerta. O que eles encontram é uma nave alienígena destruída, com um Engenheiro morto com um buraco no peito, aparentemente feito de fora para dentro. Enquanto uma das tripulantes, a Subtenente Ripley, decifra uma parte do sinal – que na verdade não era um pedido de ajuda, mas sim um aviso – a outra parte da tripulação encontra uma sala repleta de ovos. Um desses ovos se abre e o ser que sai dele ataca o rosto do Primeiro Oficial, que é levado para a Nostromo com o bicho grudado em sua cara, contra as orientações de Ripley. No dia seguinte, Ash – esse é o nome do Primeiro Oficial – acorda naturalmente, como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu, e durante o jantar é que tudo é revelado em uma cena considerada por muitos um verdadeiro clássico.

O visual do filme foi um verdadeiro achado para a época, e foi desenvolvido em sua maioria pelo designer surrealista H. R. Giger. O filme continua aclamado como um dos melhores exemplares do gênero, ganhou o Oscar de Efeitos Visuais em 1980 além de outro tantos prêmios, arrecadando 104 milhões em todo o mundo contra 11 milhões gastos para as filmagens e propaganda. E claro, deu origem a sua continuação direta, ALIENS.

#04 – ALIENS

Se você acha que “O Oitavo Passageiro” foi um sucesso estrondoso, esse foi ainda maior: recebeu sete indicações para o Oscar, vencendo dois (Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais), conseguindo o feito de ter, em um filme de ficção científica, uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Sigourney Weaver, que interpreta a (agora) Tenente Ripley.

A história se passa 57 anos depois dos eventos ocorridos na Nostromo. A Tenente Ripley é mantida congelada em sono criogênico, e quando acorda, descobre que o planeta onde sua antiga tripulação encontrou os Aliens foi colonizado. Em desespero, ela junta uma equipe de fuzileiros para voltar ao planeta e salvar a todos, que não fazem ideia do perigo que correm. O longa tem uma enorme sequencia de cenas clássicas, que já fazem parte da História do Cinema, como o reencontro de Ripley com o Alien, e toda a sequencia final, que claro, não vamos contar aqui para não estragar a surpresa.

Ridley Scott, o diretor de O Oitavo Passageiro, acabou envolvido em outros projetos, não dirigiu este filme. O que podemos considerar uma sorte, pois a direção caiu nas mãos de um certo James Cameron, que depois disso virou sinônimo de blockbuster. Ele ainda estava em começo de carreira e o filme, produzido em 1986, se tornou seu maior sucesso até então, lucrando 131 milhões de dólares contra 18 milhões gastos em sua produção, fora o reconhecimento crítico e de público. E foi uma continuação extremamente digna para a história desenvolvida em O Oitavo Passageiro, dando mais espaço para a mais carismática Sigourney Weaver brilhar, e de quebra criou uma heroína forte, que hoje é vista como um ícone do empoderamento feminino. Mas ainda havia o que contar.

#05 – ALIEN³

Com Cameron fora do jogo para dirigir “O Exterminador do Futuro 2”, ALIEN³ (escrito assim mesmo, estilizado) foi entregue nas mãos de outro principiante: David Fincher. Esse mesmo, que depois seria cultuado por “Seven – Os Sete Crimes Capitais”, “Clube da Luta”, “A Rede Social”, entre tantos outros clássicos modernos.

Aqui, o começo do filme está diretamente ligado ao fim de Aliens, portanto não vamos explicar detalhadamente. Mas o que podemos dizer é que a Tenente Ripley novamente sobrevive, e acaba em um planeta-prisão onde todos os detentos são homens. Mas não só ela escapa com vida: uma nova evolução de Alien também está no planeta e começa a caçar todos os humanos. Ripley, então, precisa se juntar aos presos para não só matarem essa nova raça, quanto também lutarem pela sua sobrevivência.

Neste filme fica evidente o quanto Fincher ainda estava imaturo para a direção de um grande filme de estúdio, mas com um roteiro desses, que soa absolutamente forçado, não havia mesmo o que fazer. Pouca coisa faz sentido – e nem compensa gastar linhas explicando – e mesmo assim ele já demonstrava sua competência estética, que seria apurada em seus trabalhos posteriores. Porém, o resultado irregular resultou em um relativo fracasso nas bilheterias (159 milhões arrecadados contra 63 milhões investidos, bem aquém do que a 20th Century Fox esperava) fora as críticas mistas dos profissionais. Parecia que finalmente a série Alien havia encontrado seu fim.

Só que não.

#06 – ALIEN: A RESSUREIÇÃO

Em 1996, alguém em alguma sala da 20th Century Fox teve uma ideia: por que não fazer mais um filme da (agora) franquia? “A gente pode ganhar um dinheirão”, deve ter pensado. E assim foi feito: encomendaram e botaram a mão na massa para tirar o filme do papel, mas provavelmente ninguém leu direito o roteiro.

Aqui, tudo se passa 200 anos depois da última aparição de Ripley no planeta dos presos de “Alien³”. Mas a tenente que vemos agora não é a mesma de antes: é um clone da original. E para completar, o seu DNA foi misturado com o de uma Rainha Alien quando usaram seu corpo como encubadora de rainhas, o que a tornou uma super-humana com poderes extraordinários. Como se não bastasse o enredo absurdo, ainda inventaram de gerar uma raça superior de Aliens a partir de clonagem, para fins militares, dentro de uma nave-laboratório. É claro que as coisas saem do controle e a Tenente Ripley precisa salvar o dia, novamente.

Tudo nesse filme é ruim, e até mesmo o bom desempenho de Sigourney Weaver – que sempre havia se dado bem no papel que transformou a sua vida – não salva o filme do desastre. A inclusão de Winona Ryder, então em evidência, deixa claro o objetivo caça-níqueis do projeto. O roteiro é de Joss Whedon, que anos mais tarde seria responsável pelo primeiro “Os Vingadores” (um estrondoso sucesso), e a direção foi entregue ao francês Jean Pierre Jeunet, que não muito depois disso teria seu lugar ao sol com o seu “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”. Mas ambos não estavam em seu auge ainda, e não é preciso dizer que “Alien: A Ressureição” foi um tremendo fracasso (169 milhões de lucro, 70 milhões de despesa), a crítica detonou o filme e com isso, a saga foi encerrada.

***

Mas agora, com o diretor do filme que originou tudo isso de volta ao comando, temos uma excelente perspectiva de onde a franquia Alien pode chegar. Ao contar a origem de tudo, os produtores procuram estabelecer uma história única, com começo, meio e fim (levando em consideração que “O Oitavo Passageiro” era um filme único, que não tinha nenhuma previsão de prólogos e continuações, que foram desenvolvidas apenas pelo sucesso do primeiro).

A julgar pelos trailers de “Alien: Covenant“, Ridley Scott continua em pleno vigor, mesmo com 79 anos de idade, e pronto para nos trazer novas nuances sobre esta série que já faz parte da cultura cinematográfica.

BÔNUS: Ouça a trilha sonora de “Alien Covenant” no Spotify:

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.
  • Flodeoliveira

    muito boa a postagem, mas acho que tem algumas informações erradas ou faltando:
    1. o cara que morre no primeiro filme alien era o kane e nao o ash. ash era o androide
    2. prometheus se passa entre 2089-2093
    3. covenant se passa dez anos depois e alien, o oitavo passageiro, em 2122

    • Luiz Henrique Oliveira

      Ola! Tudo bem?

      Todas as informações que você citou estão corretas, e estão sendo corrigidas no texto! Obrigado pela sua colaboração!

  • Thiago Santos

    Não concordo quando você diz que: “O Oitavo Passageiro” era um filme único, que não tinha nenhuma previsão de prólogos e continuações”.
    Pois acho que a última cena do filme ( com o gato demonstrando raiva) especula uma continuação.