RESENHA NETFLIX | "IO: O Último na Terra" é mais uma produção apática no streaming • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA NETFLIX | “IO: O Último na Terra” é mais uma produção apática no streaming

João Neto1155 views

“IO: O Último na Terra” é um sinal dos novos tempos do streaming. Até algum tempo atrás, quando usuários da Netflix liam a notícia de que mais uma obra original estava para ser lançada, a ansiedade era geral. Dezenas de filmes e seriados foram lançados no decorrer dos últimos anos, e alguns nomes como o da série “Sense8” conseguiram conquistar uma legião de fãs em todo planeta.

Uma fórmula parece ter sido encontrada pelos responsáveis pelos lançamentos adicionados no catalogo do serviço: uma bela fotografia, um pano de fundo sempre envolto em algum mistério que tem de ser solucionado, etc. Tudo isso se passando num futuro onde os personagens devem achar alternativas para lutar pela sua sobrevivência. Com isso, o terror e a ficção científica entram em foco. É claro que algumas dessas histórias chamam mais atenção do que outras. É inegável também a quantidade excessiva de lançamentos. Os “Originais da Netflix” acabaram cansando o público. Nesse contexto é que surge este filme.

 

A história de “IO: O Último na Terra”

Um dos últimos desses lançamentos foi o futurista “IO: O Último da Terra”. O longa contou com a direção de Jonathan Helpert, diretor mais conhecido por seus curta metragens lançados nos últimos dez anos. A história basicamente retrata a realidade vivida por apenas três personagens, Micah (Anthony Mackie), Sam Walden (Margaret Qualley) e Henry (Danny Huston). No entanto, se passa em um cenário já retratado dezenas de vezes. No caso, um planeta Terra arrasado pela poluição e devastado ao ponto de não mais fornecer uma condição de vida suportada pela humanidade. Dessa forma, eles partiram em naves para viver em “IO”, uma lua de Júpiter.

No entanto, Sam ficou para trás. O seu objetivo é encontrar uma solução e salvar o planeta, dando continuidade ao trabalho do seu pai, Henry. Enquanto está focada em suas pesquisas, tendo descoberto que os vegetais do planeta são os únicos seres vivos que não estão sendo afetados pelo ar tóxico da Terra, Sam é surpreendida com a chegada do misterioso Micah. Ele chegou até ali após ter ouvido uma gravação feita pelo pai da garota, gravação essa que ela reproduz todos os dias.

 

Um filme sem atrativos

Anthony Mackie e Margaret Qualley – Foto: Reprodução/Netflix

O roteiro é simples, e a história poderia ser um atrativo para uma distração rápida. Entretanto, “IO: O Último na Terra” não convence. Nem mesmo chega a prender a atenção, e olha que se trata de um filme com pouco mais de noventa minutos. Os personagens se veem aos rodeios diante da decisão de ir embora da Terra na última nave em direção a IO ou ficar no planeta e achar uma solução final que possa trazer vida de volta à Terra. Enquanto isso, nós nos encontramos diante de um filme massante onde, para ser sincero, nada interessante parece acontecer.

O trabalho relevante de “IO” pode ser destacado pela atuação dos dois atores principais. Isso porque a câmera está quase o tempo todo focada nos dois. Eles só saem do foco quando as cenas são intercalada com outras que tentam passar o desespero de um futuro pós apocalíptico inabitável e desolador. Com obras lançadas aos montes, espera-se que a criatividade aflore nos diretores e roteiristas contratados pela Netflix. Dessa forma é teremos séries e filmes satisfatórios, e não mais uma grande quantidade de estreias onde o público tem se deparado sempre com mais do mesmo.

Em resumo, é possível dizer que “IO: O Último na Terra” é decepcionante. É um filme que contempla o nada. Nem mesmo o seu final, que chegou a suscitar algum barulho na internet, não ajuda. Trata-se apenas de uma cena ambígua que tem, como objetivo, deixar o público pensando sobre seu significado. Dessa forma, ela se torna vazia e sem propósito. Até porque, para que possamos nos interessar pelos destinos dos personagens, precisamos gostar deles. No entanto, não conseguimos nos ligar no drama que eles passam. É uma pena.

João Neto
Paraibano de nascimento, atualmente morando em Curitiba, leitor assíduo, graduado em Biblioteconomia e livreiro por profissão com um vício intenso no consumo de séries e filmes e outro maior ainda em escrever o que achou deles.