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Por que Jurassic Park é relevante até hoje?

Luiz Henrique Oliveira982 views

Os cinemas estão prestes a receber mais um filme da franquia Jurassic Park, “Jurassic World – Reino Ameaçado”. A expectativa é alta para que seja tão bem sucedido quanto o longa anterior, que inaugurou essa nova fase dos dinossauros no cinema e arrecadou mais de um bilhão e meio de dólares nas bilheterias do mundo inteiro.

Percebe-se, então, que o interesse tanto da Universal Pictures quanto da audiência nesse tipo de filme continua em alta. Então, a pergunta é: por quê? E qual é o real alcance dessa franquia bilionária dentro da cultura pop?

Dinossauros? Quem liga para dinossauros?

Por incrível que pareça, o tema “dinossauros” não era muito lembrado no começo dos anos 90. O máximo que havia de referência era o popular seriado “Família Dinossauro”, que estreou em 1991 e durou até 1994. De resto, fora alguma coisa aqui e ali nas animações, não havia tanto interesse assim nesse assunto.

Porém, o escritor de livros populares Michael Crichton havia escrito, em 1990, um romance chamado “O Parque dos Dinossauros”, que chamou a atenção imediata da Universal Pictures. Tendo comprado os direitos de filmagem, o estúdio tratou de procurar um diretor que pudesse transportar aquele enredo para o cinema, e foi atrás do único cara capaz de realizar o serviço: Steven Spielberg.

A princípio, Spielberg relutou a aceitar o trabalho. Haviam outras prioridades em sua vida, como produzir e dirigir a adaptação de “A Lista de Schindler” — filme que o consagraria com o Oscar de Filme e Diretor em 1994. Porém, diz a lenda que foi convencido por uma oferta tentadora: o estúdio bancaria seu filme sobre o Holocausto se assumisse o comando de “Jurassic Park”.

A pergunta maior na pré-produção do filme, até mesmo antes dos detalhes técnicos, era: quem liga para dinossauros? Os bichos estavam mortos há milhões de anos, ninguém sabia com certeza como eles eram a não ser por fósseis que diziam muito, ao mesmo tempo em que diziam nada. Será que o público compraria a ideia?

Para os estúdios Universal, sim. E o tempo provou que estavam com razão. Mas ainda havia outra questão a ser resolvida: como é que dariam vida a animais mortos há centenas de anos?

O legado da capacidade técnica

Antes de mais nada, é possível afirmar com certeza que “Jurassic Park” mudou para sempre o modo de se fazer cinema. Foi o filme que inaugurou a nova era da computação gráfica, que deixou praticamente tudo que foi produzido nos anos 80 com cara de velharia.

As inovações trazidas em “Jurassic Park” e tão bem orquestradas por Spielberg tornaram o filme uma experiência praticamente atemporal: assistir ao longa ainda hoje é constatar que ele não envelheceu nada, tanto no enredo, quanto em sua produção e principalmente em sua qualidade técnica.

Parece impossível de imaginar, mas os efeitos visuais até então não atingiam tanta naturalidade em cena, quando dividia espaço com atores de carne e osso. O mais próximo disso foi com “Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, dirigido por James Cameron em 1991, que já trazia inovações fantásticas. Entretanto, antes disso era preciso muito esforço e imaginação para inserir efeitos em cena sem parecer falso.

Ironicamente, Spielberg já tinha sido o responsável por revitalizar os efeitos visuais com seu “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, que ele dirigiu em 1977 e que, pela primeira vez, permitiu que maquetes e trucagens computadorizadas (bem em seu começo) dividissem espaço com atores com a câmera em movimento. Isso também é corriqueiro hoje em dia, mas no final da década de 70 foi uma revolução que facilitou a vida de um certo George Lucas a realizar sua obra máxima, “Star Wars”.

Não se sabe se foi apenas competência ou ou mais um golpe de sorte. Mas Spielberg estava no lugar certo e na hora certa para renovar a sétima arte. Novamente.

Uma mistura que deu certo

Em “Jurassic Park”, Spielberg optou por misturar bonecos animatrônicos com efeitos visuais pioneiros. Isso trouxe o resultado que hoje todos nós conhecemos, e que gerou a continuação “O Mundo Perdido”, em 1997. Já nos anos 2001, estreou “Jurassic Park 3”, que não trouxe tanto resultado quanto os responsáveis pela – agora – franquia esperavam.

Então, os dinossauros novamente entraram em extinção.

15 anos depois, “Jurassic World” estreou nos cinemas do mundo inteiro e veio a surpresa: o público estava ansioso para reencontrar os dinossauros. Faturou muito, e fatalmente gerou uma continuação, e muitas prováveis sequências que o estúdio e Spielberg, agora produtor executivo, planejarão para manter viva essa história no cinema. Porém, toda a inovação desenvolvida lá em 1993 continua bem atual e encantando novas e velhas gerações.

Afinal, se hoje esse tema ainda continua atrativo, foi por causa de “Jurassic Park”. As inúmeras referências ao filme em outros longas, séries, animações e HQs demonstram que a sua influência ainda se mantém, se tornou um conceito pop. Diversas cenas, como a primeira aparição do Tiranossauro Rex por exemplo, ainda povoam o imaginário popular e já tem seu lugar garantido como clássicos da sétima arte.

E tudo isso se deve a um estúdio e a um diretor que, meio sem querer, colocaram tudo isso em funcionamento. “Jurassic Park”, o filme, continua sendo relevante e interessante, e enquanto franquia, ainda vai nos render mais algumas sequências que devem colocar diante de nossos olhos as coisas que antes só frequentavam a nossa imaginação.

E essa é a força da obra, e fará com que ela seja lembrada por muito tempo ainda.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.