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RESENHA | Lana Del Rey almeja o amor em “Lust For Life”

Leonardo Drozino2444 views
Lana Del Rey Lust For Life resenha mazeblog

Desde que seu álbum de estreia, Born To Die, conquistou o público jovem em seu lançamento em 2011, a estadunidense Lana Del Rey se firmou como um ícone na cultura pop. A artista, com identidade caracterizada pela combinação de elementos clássicos, vintages e sons da música eletrônica alternativa chega ao seu quarto álbum, Lust For Life, com melhor clareza dos rumos que quer dar para a sua aventura musical.

Há muito tempo ela aparenta tentar resgatar a sonoridade que a lançou para o mundo, mas bem, nada pode ser feito igual duas vezes. No entanto, é completamente permitido e correto que se busque algumas referências, claramente notadas no novo trabalho da cantora. Sempre esteve flertando com o hip hop, mas nunca se aprofundando de mais, dessa vez Lana Del Rey incorpora batidas trap sem culpa alguma, como visto nas faixas “Groupie Love”, “Summer Bummer” (parcerias com o rapper A$AP Rocky) e “White Mustang”.  O trap já tinha dado uma palhinha anteriormente em seu álbum Honeymoon, mas em Lust For Life ele se torna uma importante referência na construção da atmosfera sonora.

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Capa de “Lust For Life”, novo álbum da Lana Del Rey. (2017)

É muito importante que um artista não caia na mesmice e não tente se repetir. Mas nos oceanos de inovações e recriações, é essencial não deixar-se ser devorado pelos tubarões da perda de identidade. Felizmente, a cantora parece ter nadado pela correnteza correta e consolidado ainda mais a autêntica pessoa que conquistou o mundo. Sabe, a bela mulher que gosta muito dos Estados Unidos, filmes antigos, ritmos mid tempo e que também consegue carregar de emoção e boas melodias os temas reflexivos da vida, com aquela pitada mais que generosa de tristeza.

Amor, o sentimento que serve de inspiração para o conteúdo lírico é ao mesmo tempo simples e complicado por si só. No entanto, a sonoridade geral do trabalho é bem produzida, mas leve e clara, sem demandar de grandes quantidades de camadas.  A voz cheia de força de Lana Del Rey é a protagonista do álbum, que poderia ser dividido em duas partes. Enquanto a primeira oferece imediatas canções dream pop como o single “Love”, a faixa título em parceria com o The Weeknd e experimentos com a música trap, a segunda metade brinca com o folk.

Distanciando-se um pouco dos sons eletrônicos, “Beautiful People, Beautiful Problems” triunfa em sua parceria com a lendária Stevie Nicks. Duas belas vozes contribuindo para o que pode ser a canção chave do disco, simples, com pouca instrumentação, mas coberta de honestidade. Dando sequência para as aventuras folk do álbum, “Tomorrow Never Came” ganha toda uma atmosfera a lá Bon Iver, proporcionada pela combinação dos vocais delicados da artista com os graves e sussurrados do convidado Sean Ono Lennon e que poderia muito bem ser a faixa de encerramento, que totaliza mais de 70 minutos ao longo de dezesseis músicas.

Não há como negar que há uma aura triste em tudo que Lana faz. Uma melancolia sempre existente que abraça e envolve como uma perfeita trilha sonora enquanto lágrimas escorrem de seus olhos, assistindo um filme. Esse filme é a vida. Motivada pelo amor, ela despertou uma clara paixão pela vida, fazendo de Lust For Life o seu álbum mais positivo e direto até agora. É um disco sobre relacionamentos, paixões, decepções e todas as pequenas coisinhas que fazem o amor ser um estado divino tão almejado.

Ouça o “Lust For Life” da Lana Del Rey no Spotify:

Leonardo Drozino
Escritor, redator do MAZE e cupido nas horas vagas.