Resenha: Little Boots - "Working Girl" • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: Little Boots – “Working Girl”

Leonardo Drozino1649 views

Review: Little Boots - "Working Girl"É com sofisticados terninhos de escritório remetendo às décadas de 1970 e 1980 que Victoria Hesketh, a.k.a Little Boots entrega ao mundo o seu terceiro disco, Working Girl. O álbum conceitual, narra o dia a dia de uma mulher comandando seu próprio negócio – em meio a um ponto de vista feminista enquanto lida com a transformação de seu domínio criativo e de sua independência.

O disco – que é uma expansão do conceito apresentado no EP Business Pleasure, cuja nossa review pode ser lida aqui – chega a funcionar quase como uma celebração à liberdade, depois de toda a pressão colocada na artista por sua gravadora no período de divulgações de seu trabalho de estreia, Hands, lá de 2009 – que rendeu os hits “Remedy” e “New In  Town”. “Liberdade”, com certeza caracteriza bem o que se pode ouvir nas 13 faixas do trabalho: uma mistura descompromissada de diversos elementos da música eletrônica, resultando em um punhado de canções animadas e voltadas para clubes – lembrando um pouco da proposta do álbum anterior, Nocturnes – e em algumas mais experimentais, belas e nada óbvias canções.

+ Little Boots no MAZE

Um tanto deprimente e até mesmo irônico nas primeiras audições, a artista mostra que não é fácil ser uma mulher no mundo dos negócios. A onda de sentimentos sombrios da primeira impressão é logo apaziguada com canções como a faixa título, “Working Girl”, “Heroine” e “No Pressure” que cairiam muito bem em sets de DJ’s de clubes gays ao redor do mundo.

Entretanto, é nas explosões sonoras experimentais como “Taste It” e “Business Pleasure” que se vê algo realmente novo. Enquanto a primeira é recheada de “whoaaa” e “lalalalas” por cima de uma batida frenética, quase tribal e imprevisível, a segunda se revela uma canção animada que gruda desde o primeiro verso até o último. Mas se for escutada com um pouco mais de atenção, é possível notar sintetizadores crescendo lentamente e flutuando ao longo da música, até chegarem ao seu auge no final, enquanto a cantora entoa seu refrão repetidamente.

Uma grande surpresa no disco é a balada “Help Too”, a canção mais sombria que a artista fez até hoje. Em versos como “Aguente firme, fique forte, meu amor, eu tento tanto/Mas você não sabe que eu também preciso de ajuda?”, ela revela sua vulnerabilidade por trás de uma imagem de pessoa forte que precisa manter.

Focada em destacar a imagem de uma mulher de negócios, as lembranças de que um dia Little Boots foi uma cantora pop estão bem distantes. Apesar de ser seu segundo álbum lançado pela sua própria gravadora, On Repeat Records, parece que só agora que a artista realmente soltou as amarras e se viu segura para explorar o mundo diante de seus olhos e “fazer algo acontecer”. Em Working Girl, ela encontrou o seu lugar.

Leonardo Drozino
Escritor, redator do MAZE e cupido nas horas vagas.