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Review: Mumford and Sons – Wilder Mind

Leonardo Drozino1 comment1918 views

No ramo das artes, principalmente na música, a necessidade de se reinventar é completamente essencial para se continuar ou se tornar relevante. A capacidade de sair da sua bolha de plástico, da sua zona de conforto pode render maravilhas, como no caso do novo álbum da banda britânica Mumford and Sons, Wilder Mind, lançado na última segunda, 4 de maio.  Consagrados mundialmente pela incrível habilidade vocal do líder da banda, Marcus Mumford, de composições e de manuseio dos instrumentos clássicos da música folk, a banda abalou o mundo com o seu disco de estreia, Sigh No More em 2009 e com o premiado Babel, de 2012 na categoria “Álbum do Ano” do Grammy Awards de 2015.

Porém, em Wilder Mind, toda a instrumentação folk que os trouxe aos olhos do público foi completamente removida. Agora, substituídos por guitarras, baixos, bateria, piano, sintetizadores, o grupo parece que encontrou o seu lugar ao sol, e de lá não vão sair tão cedo.

Wilder Mind, Gentlemen of the Road (2015)
Wilder Mind, Gentlemen of the Road (2015)

Os fãs podem até se chocar no começo com a grande e radical mudança, mas no final da audição completa do álbum, é inegável que a essência da banda se mantém integra e intocada… Apenas mostrada em uma perspectiva diferente, mais ampla, arriscada e grande. Logo no começo, é praticamente impossível não se render à melodia da romântica “Tompkins Square Park” e torcer para que o narrador consiga o perdão de sua amada pelo seu erro.  A confidência das letras, baseados em experiências reais de relacionamentos bem sucedidos e em relacionamentos destruídos do quarteto (dessa vez, contando com composições escritas por todos os membros) flutuam em meio a uma aura de vocais em camadas, sintetizadores graves e riffs de guitarra e acordes de baixos dedilhados delicadamente nas baladas, que constituem a maior parte do tracklist, e ferozmente nas canções mais ‘selvagens’ como “The Wolf” e “Ditmas” (a primeira composta para o trabalho) e em explosões capazes de arrepiar no final de faixas como “Believe”, “Only Love” e “Snake Eyes”.

Cheio de destaques, como a balada ao piano “Hot Gates” (a melhor faixa do disco), a nostálgica “Broad-Shouldered Beasts” e a ácida e rancorosa “Wilder Mind” estão perfeitamente alinhadas em um conjunto muito forte de faixas, formando um álbum perfeitamente coeso, bem planejado e produzido. A energia do som das guitarras sendo tocadas nas músicas soa quase como uma metáfora para a liberdade que a banda conseguiu depois da euforia contida de Babel. Libertação, no qual se casa com o conceito do título do álbum, “mente mais selvagem” que seria uma referência a conseguir se entregar por inteiro a outra pessoa, sem medos e sem arrependimentos.

Cercado de dúvidas quanto a sua qualidade inegável, Wilder Mind bate as expectativas a cerca de seu aguardado lançamento, oferecendo uma clara visão de que a banda possui completo domínio de que direção seguir. Uma direção mais selvagem.

Leonardo Drozino
Escritor, redator do MAZE e cupido nas horas vagas.