Resenha | Netflix deu a faca e o queijo para que "3%" pudesse ser incrível • MAZE // MTV Brasil
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Resenha | Netflix deu a faca e o queijo para que “3%” pudesse ser incrível

João Batista3001 views

Em 2011, quando o Youtube já era relevante mas não tanto como é hoje, Pedro Aguilera teve uma ideia que resolveu colocar pra fora do papel afim de chamar a atenção de qualquer grande empresa que pudesse dar continuidade à sua obra com mais recursos. Tratava-se de uma websérie, intitulada 3% e que se ambientava em uma sociedade distópica e miserável onde os jovens de 20 anos disputavam uma chance de uma vida melhor através de provas de desafiavam seus limites físicos, lógicos, emocionais e morais.

Naquele ano, algumas distopias (inclundo Jogos Vorazes) já estavam rolando pelas prateleiras, mas estava longe de se tornar uma febre mundial absoluta. Tanto que, no mesmo ano, Veronica Roth publicou o primeiro volume da saga Divergente – cuja história é bem semelhante com a de 3%. E mesmo com uma premissa não tão hypada na época, Pedro ainda nutria esperanças de que, cedo ou tarde, sua ideia seria notada por alguém.

3-por-cento-s1-1Demorou um pouco para isso acontecer, mas quem enxergou o potencial do moço foi ninguém menos que a Netflix, atual dominadora do entretenimento audiovisual. O anúncio de que a plataforma de streaming produziria uma temporada inteira baseada no trabalho de Pedro fez com que muita gente surtasse – pois além da história ser incrível, essa viria a ser a primeira produção brasileira do serviço.

Quem agarrou a direção e produção da série foi César Charlone, premiado fotógrafo que já trabalhou em grandes películas brasileiras, como Cidade de Deus e Palace II. No elenco, Bianca Comparato, João Miguel, Zezé Motta, Michel Gomes, Vaneza Oliveira, Rodolfo Valente, Rafael LozanoMel Fronckowiak.

A divulgação gerou buzz, e não foi pouco. Tava todo mundo louco para ver o resultado da primeira parceria da Netflix para uma produção 100% tupiniquim. À primeira vista, tudo é lindo: os cenários e a fotografia são impecáveis, e os figurinos dão o toque distópico que atrai qualquer fã de histórias desse tipo. E basta só dar uma olhada no trailer pra se dar conta de que a bagatela não foi pouca para que a coisa ficasse em padrão de ~primeiro mundo~.

Porém…

3% não é uma trama ruim, mas também está longe de se tornar a melhor coisa que já passou pelo catálogo da Netflix, que certamente não poupou recursos para que a produção pudesse ser incrível. Os trabalhos anteriores dos atores não são ruins, o desenrolar da trama não é de se jogar fora, e não podemos deixar de mencionar as necessárias questões sociais que estão embutidas na história. Isso tudo é muito louvável, sério.

Mas o que dá a entender é que faltou um pouco mais de capricho por conta da direção. Muitas das cenas carecem de emoção e impacto, além do timing falhar de forma quase amadora em alguns diálogos… Pequenos erros que não existiram na websérie original poderiam, sim, ser evitados, tornando a grande promessa algo bem decepcionante. Infelizmente.

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.