Resenha | "A Era do Gelo: O Big Bang" • MAZE
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Resenha | “A Era do Gelo: O Big Bang” revela a perda do encanto da franquia

Luiz Henrique Oliveira8588 views

O importante não é justificar o erro, mas impedir que ele se repita.
Che Guevara

Parece estranho começar esse texto citando Che Guevara, mas essa frase atribuida a ele sintetiza exatamente o sentimento ao assistir o novo filme da franquia A Era do Gelo. O primeiro filme que trouxe Diego, Manny e companhia bela surgiu em 2002 e não teria feito tanto barulho se não fosse aquele personagenzinho coadjuvante, mas que sempre interfere de forma decisiva na história: o esquilo Scrat. Mas o longa não era só isso. Como entretenimento, A Era do Gelo: O Big Bang mostrou-se competente, com personagens carismáticos e uma história de forte apelo entre crianças e adultos.

Foi então que o Sistema (aquele com S maiúsculo) entrou na história e, percebendo o que havia acontecido, resolveu sugar tudo o que podia.

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Aí chegamos em 2016 para descobrir que O Big Bang é o bagaço da laranja. Enquanto os três primeiros filmes tinham coesão e uma linha narrativa definida, com ligação entre eles, o quarto filme soou como um mero caça-níqueis calcado quase exclusivamente no esquilinho desastrado (já que os outros personagens pareciam estar esperando as atitudes de Scrat para desenvolver a trama). As críticas foram pesadas, e imaginou-se que a fórmula havia se esgotado. A saga glacial deveria ter acabado ali. Porém, a Blue Sky Studios (dos ótimos Rio e Robôs, por exemplo), ao invés de preparar um novo projeto, pensou ser melhor puxar alguns dólares a mais com uma continuação. Pelo bem de personagens tão queridos, esperamos que seja a última.

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Não há muito o que explicar sobre enredo. Os amigos Sid, Diego e Manny e sua família agora precisam se livrar da ameaça de extinção global e no caminho encontram dezenas de personagens, que servem para lotar a tela de personagens que tem (teriam?) potencial para virar brinquedos e produtos para o público infantil. O roteiro é claramente preguiçoso e preocupado em fazer surgir alguma tirada sarcástica, no mesmo nível daquelas de domingos em família. Nenhum – nenhum! – dos personagens apresenta qualquer preocupação com suas atitudes; infelizmente, a insistência em fazer cinco volumes de A Era do Gelo só fez com que todos aqueles que gostamos nos primeiros filmes só sejam capazes de nos irritar no último filme. Em resumo: perderam o encanto.

Lamentavelmente, A Era do Gelo: O Big Bang não serve nem como diversão para crianças. É um filme tolo, bobo, que não deixa qualquer marca – você provavelmente esquecerá do longa em dois dias, no máximo. Foi um erro absurdo o estúdio insistir nessa continuação, que não tinha qualquer razão para existir. É o típico caso em que, ao invés de assumir ter errado com um quarto filme, os produtores resolvem confirmar o erro fazendo um quinto.

Com o perdão aos conservadores, é preciso admitir que Che Guevara estava certo.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.