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RESENHA | “A Maldição da Chorona” promete muito, mas não cumpre nada

Luiz Henrique Oliveira429 views
"A Maldição da Chorona" promete muito, mas não cumpre nada - Foto: Reprodução/Warner Bros.

Quando James Wan dirigiu o primeiro “Invocação do Mal“, no já distante 2013, nem ele esperava o estrondoso sucesso do longa. O filme rendeu, somente na bilheteria, três vezes mais do que custou para ser feito. Dessa forma, tornou-se um fenômeno – que prontamente se tornou uma franquia. “A Maldição da Chorona” é o sexto filme dessa espécie de “universo compartilhado”. Estreia após “A Freira”, que fez sucesso nos cinemas ano passado, mas foi (justamente) massacrado pela crítica. Aqui não é diferente: o longa é bem ruim.

Dirigido por Michael Chavez, “A Maldição da Chorona” não se parece em quase nada com o filme que originou a franquia. Se passa na década de 70, e traz como personagem principal uma das lendas mais conhecidas pelo público latino, em especial o México. Se a intenção era dar uma nova roupagem para a tal Chorona, o longa falhou miseravelmente em seu intento. Tanto como história quanto como cinema, a obra é digna de lamentações.

Basicamente a história aqui é a seguinte: uma assistente social investiga um crime, e começa a notar a semelhança do caso com a lenda da Chorona. Esta diz que uma mulher afogou seus filhos em um rio e depois jogou-se nele, aos prantos. Desde então, passa a eternidade chorando, roubando os filhos dos outros para tentar substituir os seus.

O maior problema em “A Maldição da Chorona” é que ele foge do que havia começado a ser estabelecido com os longas dirigidos e/ou produzidos por Wan. Ou seja: o terror é mais psicológico, construído em cima do clima, sem susto fácil (o chamado jump scare). Aqui, o diretor Chavez esquece essas regras. Dessa forma, quando o longa baixa o volume de sua trilha, já dá para saber que vem susto em seguida. Torna-se, portanto, absolutamente previsível.

 

Sem vergonha de ser caça-níquel

"A Maldição da Chorona" promete muito, mas não cumpre nada - Foto: Reprodução/Warner Bros.A conclusão lógica ao assistir “A Maldição da Chorona” é que o filme foi feito para ser um caça-níquel. E ao terminar a sessão, percebe-se que o longa não tem a menor vergonha em se assumir como tal. Isso porque a conexão com o universo de Invocação do Mal é a presença de um padre que aparece nos filmes de Annabelle, o padre Perez. De resto, em nada se assemelha aos filmes anteriores. Se em A Freira a questão mercadológica já havia se sobreposto à qualidade da narrativa, aqui isso é escancarado.

O roteiro escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis é simplista demais. Aposta muito nas cenas de susto e esquece de desenvolver seus personagens de forma a fazer com o público se conecte com eles. O que é uma pena: se bem delineados, poderia render um trabalho mais memorável. Linda Cardellini, a atriz que interpreta a assistente social que acaba tragada pela história envolvendo a Chorona, segura as pontas o quanto pode. No entanto, nem mesmo uma atriz de calibre conseguiria sustentar uma história tão fraca. A lenda que dá título ao filme, aliás, é mal representada.

No fim das contas, “A Maldição da Chorona” não honra a franquia ao qual pertence. Além disso, não tem o menor pudor em se assumir como caça-níqueis. “A Freira” ao menos havia tentado disfarçar, e o resultado foi um pouco melhor do que apresentado aqui. Wan agora atua como produtor e está afastado da criação dos filmes diretamente. No entanto, ele precisa voltar seus olhos para a sua galinha dos ovos de ouro. Caso contrário, pode acabar na mesma sarjeta onde está “Jogos Mortais” e outras franquias que passaram a enxergar o dinheiro da bilheteria como algo mais importante que a qualidade dos filmes.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.