RESENHA | A realidade macabra em "Lore", série da Amazon Video • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | A realidade macabra em “Lore”, série da Amazon Video

João Neto978 views

Uma boa história de terror, contada por um bom narrador ao redor de uma fogueira, pode prender a atenção de seus ouvintes por minutos e até horas. Mansões soturnas, assombrações, torturas macabras, situações inimaginavelmente angustiantes… Algumas vezes são até exageradamente recheadas, para deixar alerta quem as escuta.

O americano Aaron Mahnke, conhecido pelo premiado podcast Lore, é um expert em contar histórias de terror. Seu podcast já está no ar a mais de dois anos, contendo mais de cem episódios. A boa narrativa de Aaron gerou ainda a série de livros “The World of Lore”, com três publicações. Dessa forma, é mais que natural que o sucesso do contos de terror contados por Mahnke chegasse até a TV.

Em 2017, o serviço de stream Amazon Video anunciou o lançamento da primeira temporada da série “Lore”. Acima de tudo, logo de início ficou claro que a produção não estava para brincadeira. Os episódios foram produzidos pela “Valhalla Entertainment”, companhia fundada pela conhecidíssima produtora Gale Anne Hurd. Ela foi responsável, por exemplo, pela gigante “The Walking Dead”, e contou ainda com a participação do produtor e diretor Glen Morgan, que escreveu para a série “The X Files”.

O grande diferencial de “Lore”, em meio à tantas séries de terror que são transmitidas atualmente, é que a antologia baseia as suas tramas em histórias reais. Ao menos, no que acredita-se terem realmente acontecido nos mais diversos lugares do mundo. Sejam elas passadas em um passado muito antigo ou um tanto quanto recente.

 

Contexto histórico bem apresentado

Lendas contadas através dos séculos, de geração em geração, por exemplo. Propriedades espalhadas ao redor do planeta que parecem carregar uma maldição. Notícias que foram capas de jornal da história moderna. Crimes sem solução que atravessaram os anos sem um desfecho. Mais importante, é o acréscimo do toque especial: a narração do próprio criador do podcast Lore. A voz de Aaron Mahnke está presente para dar forma às histórias.

Na mesma linha, o contexto histórico desses contos é sempre muito bem apresentado. Os episódios, que duram de 30 a 60 minutos, obviamente usam e abusam da liberdade criativa. Ela está ali, pois as histórias contadas e recontadas durante séculos tendem a perder a veracidade dos fatos. Dessa forma, o efeito telefone sem fio é inevitável. Entretanto, tudo leva a formalizar a ambientação dessas memórias: desde detalhes, como os cenários e os figurinos, bem como a riqueza apresentada nos diferentes sotaques e expressões usados em diferentes lugares e tempos.

 

“Lore” e seus episódios bizarros – e reais

"Lore" é uma série da Amazon que investiga casos horripilantes - e reais.
Rosemary Kennedy

Por exemplo, são narrados os horrores vividos pelos pacientes do Dr. Walter Freeman, que ficou conhecido como o “Pai da Lobotomia”. Ele submeteu mais de três mil pacientes a um processo grotesco para “corrigir o comportamento” de pessoas com problemas neuro psiquiátricos, como Rosemary Kennedy.

Irmã do ex presidente americano, Rosemary tinha dislexia. Além disso, apresentava um nível pequeno de atraso mental. Para não “manchar” o nome da família presidencial, a jovem de 23 anos foi levada até o Dr. Freeman. Consequentemente, ela foi lobotizada.

Além dessa história, em Lore também acompanhamos aquela que, acredita-se, pode ter sido uma das maiores assassinas da história mundial. Elizabeth Báthory, ou a “Condessa de Sangue” — como ficou conhecida — foi a cruel mulher foi condenada por ter matado mais de 600 jovens. Seu propósito: banhar-se no sangue de suas vítimas para se manter bela.

Esses são apenas alguns exemplos dos enredos apresentados em “Lore”. A série já possui duas temporadas, com seis episódios cada. Em meio a tantas histórias contadas, é mais do que normal que algumas delas chamem mais atenção do que outras. No entanto, os fãs de terror não irão se decepcionar com o que nos foi apresentado até agora.

 

João Neto
Paraibano de nascimento, atualmente morando em Curitiba, leitor assíduo, graduado em Biblioteconomia e livreiro por profissão com um vício intenso no consumo de séries e filmes e outro maior ainda em escrever o que achou deles.