Resenha | O pop agradece AlunaGeorge pelo excelente "I Remember" • MAZE // MTV Brasil
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Resenha | O pop agradece AlunaGeorge pelo excelente “I Remember”

Gustavo Mata1 comment2673 views

Dos Rolling Stones às Spice Girls, de David Bowie a Adele, o Reino Unido sempre foi escola de alguns dos maiores nomes da história da música contemporânea. Seja dos subúrbios de Manchester, terra de New Order, seja em Londres, de La Roux e Nero, a música britânica nunca se limitou a limites geográficos e estourou pelo mundo todo. Um dos nomes mais recentes da terra dos Beatles é o duo-queridinho-dos-charts AlunaGeorge.

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Depois de um bem sucedido álbum de estreia, algumas parcerias bombásticas (incluindo Disclosure, Diplo e Flume) e até mesmo um desembarque as pressas no Brasil para uma apresentação no Rock In Rio 2015, o dupla formada por Aluna Francis e George Reid resolveram polir o material gravado ao longo dos três anos desde o Body Music e finalmente está de volta ao mercado.

Segundo álbum oficial da dupla, I Remember é um punhado de colaborações que tinha de tudo para dar errado, mas felizmente não deu. Da ajuda de Flume na faixa título aos vocais de Leikeli47 e Dreezy em “Mean What I Mean”, o disco é um verdadeiro ticket para uma viagem agitadíssima dos anos 90 até a atualidade.

As duas primeiras faixas do disco – “Full Swign” e “My Blood” – são boas introduções, mas chegam a parecer poeira perto das duas outras que a seguem. “Not About Love”, produzida em parceria com Mark Ralph (Years & Years, Franz Ferdinand), tem uma melodia gostosa de ouvir e um refrão que gruda feito chiclete; uma boa aposta para single, sem dúvidas. Na sequência, “Hold You Head High” é dona de um brilho que pode levar a dupla mais uma vez para o centro dos grandes festivais: o refrão é poderoso, pegajoso e dançante. Não seria surpresa vê-la em comerciais, anúncios, sendo remixada por grandes DJS e tocada nos maiores festivais de música eletrônica do mundo. Foi assim que “You Know You Like It” tornou-se um sucesso global, depois de passar por um tratamento especial do DJ Snake, e mais um dedinho do produtor americano no novo projeto da dupla seria até mesmo uma boa pedida.

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Claro que se compararmos o novo projeto ao Body Music, pode haver certo estranhamento. A dupla está mais pop e até mesmo mais agitada que antes, mas a mistura inteligente de R&B não ficou pra trás. “Mediator” parece um verdadeiro flashback do que rondava as rádios de R&B no fim dos anos 90, como uma faixa perdida das TLC ou uma baladinha de Britney Spears que atravessou o tempo e veio parar na mão de Goerge. “Jealous” é uma música mid-tempo deliciosa, com certa inocência na letra, mas um refrão radiofônico e que poderia ser um grande hit nas mãos de alguns dos DJs que bombam Tomorrowland e Ultra Music Festival a fora.

E enquanto “In My Head” é uma música com quê dos clássicos consagrados por Alex Gaudino, Desaparecidos e cia nos anos 2000, “I’m In Control” é o retrato do pop atual: agitado, tropical e divertido. O impacto que “Lean On” e outras produções de Diplo causaram no mercado musical não deixaram de transparecer no projeto de Aluna e George, mas os dois foram muito categóricos em deixar sua marca em cada segundo da música. E esse é um dos pontos fortes do álbum – o flerte com gêneros e batidas consagrados por outros artistas não engoliu a originalidade que nos fez cair de amores pela dupla anos atrás. As batidas de George são únicas e os vocais um tanto infantis de Aluna se destacam em meio a tudo isso.

O surpreendente do disco é ver que, com menos de cinco anos de carreira, AlunaGeorge já trilha seu caminho entre os grandes artistas da atualidade. Se o sucesso e a qualidade vão os acompanhar ao longo dos anos, ninguém pode prever. Mas se a qualidade e o comprometimento que ambos tiveram em I Remember se mantiver nos próximos projetos, não seria surpresa vê-los nomeados como mais um dos grandes músicos que o Reino Unido já teve.

Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.