Resenha: "Batman vs Superman - A Origem da Justiça" • MAZE
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Resenha | “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é um filme a altura para os dois grandes super-heróis

Luiz Henrique Oliveira1 comment3433 views

A Marvel sempre teve muita vantagem no que diz respeito a adaptação de suas histórias para o cinema. Mesmo com eventuais tropeços (vide Quarteto Fantástico, o primeiro Demolidor, etc), seus personagens sempre tiveram maior relevância na tela grande do que as produções baseadas na DC Comics – de fato, Batman e Robin, de 1997, ainda detém o título de pior adaptação da história da sétima arte. Houve apenas alguns fatos casuais que mudaram esse panorama: o primeiro Superman, lá nos anos 70 com Christopher Reeve e Gene Hackman, e o segundo exemplar da trilogia diriga por Christopher Nolan nos anos 00, O Cavaleiro das Trevas, sem esquecer da adaptação pioneira de Tim Burton para o Homem-Morcego em 1989. As outras tentativas oscilaram entre resultados medianos e fracassos gigantescos.

Aí, a Warner joga todas as suas fichas em Batman vs Superman: A Origem da Justiça – confronto entre os dois heróis, e finalmente entrega um filme à altura da importância tanto de um quanto de outro.

Muito disso se deve a Zack Snyder. Diretor pertencente ao segundo escalão de Hollywood, melhorou muito a partir do hoje clássico Watchmen, de 2009. Neste filme, ele atinge o seu auge até o momento, equilibrando bem a diversão que os filmes da Marvel sempre proporcionam com a sobriedade de um filme de Nolan. O resultado é uma produção épica em todos os sentidos, que prende a atenção de qualquer um que se proponha a sentar-se por duas horas e meia e acompanhar a batalha dos dois gigantes da DC. Sua direção na primeira meia hora do filme é fantástica, em especial em uma sequência que, além de ligar este filme com “Homem de Aço” (também dirigido por ele em 2013), traz ecos de realismo inspirado nos eventos de 11 de Setembro que deixam o espectador à flor da pele. É impossível ficar indiferente: a sensação é de que tudo está acontecendo ao vivo, e esse sentimento é visível pela boa direção de Snyder, que finalmente se livrou de alguns vícios vistos em Sucker Punch, de 2011, mesmo que seu fetiche por câmera lenta ainda permaneça – quem assistiu 300, de 2007, sabe como é.

"Batman v Superman - A Origem da Justiça"

Entretanto, não é só de técnica que Batman vs Superman: A Origem da Justiça se sobressai. Ben Affleck, por exemplo, demonstra que a idade lhe fez muitissimo bem, tanto no seu apuro como diretor quanto em sua técnica como ator. Seu Bruce Wayne é, provavelmente, o melhor da série, trazendo os elementos de charme impostos pelo Michael Keaton nos filmes de Tim Burton com seus sentimentos conflitantes visto em suas histórias em HQ. Deixa fácil todos os outros intérpretes para trás. É importante destacar todos os outros do elenco, como Amy Adams, Laurence Fishburne, Holly Hunter, Diane Lane e claro, Henry Cavill, que parece ter entendido mais seu Clark Kent em comparação com seu filme anterior, entregando uma atuação muito melhor, fora do piloto-automático. Ponto fraco, nesse quesito, fica com Jesse Einsenberg, que transforma seu Lex Luthor num menino mimado e chato, sem motivações convincentes e que não demonstra em momento algum oferecer perigo aos heróis. Faz a gente sentir saudade do Gene Hackman ou até do Kevin Spacey, intérpretes anteriores do personagem. E dar mais detalhes do que Gal Gadot faz com a Mulher-Maravilha no filme é entregar spoilers, então a recomendação é: vão assistir ao filme. Agora.

No geral, a glória de Batman vs Superman: A Origem da Justiça vem do conjunto de talentos empregados para trazer uma história tão forte para os cinemas. O roteiro, que ficou a cargo de David S. Goyer e Chris Terrio, não te deixa respirar e te faz não desgrudar os olhos da tela, tamanha é a sucessão de acontecimentos, cada vez mais grandiosos e perigosos. O mérito, então, é de todos os envolvidos, que além da vontade de superar a “rival” Marvel em um ano em que se espera recordes de bilheteria para Capitão América: Guerra Civil, também entenderam a importância de fazer uma boa adaptação, divertida e ousada na medida certa sem os exageros sóbrios de um Nolan ou exageros estilísticos de um Burton. Tudo está no lugar, o filme, como diversão e como cinema, é sensacional.

E com toda a concorrência desse ano, já é possível afirmar que a DC saiu na frente, talvez pela primeira vez nesses anos todos. Que continue assim!

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.