Resenha: "Deadpool" não é aquilo que se esperava - é muito melhor! • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: “Deadpool” não é aquilo que se esperava – é muito melhor!

Luiz Henrique Oliveira1 comment6635 views

Vamos colocar dessa forma: Deadpool é o melhor filme que a Marvel não produziu. Não fosse pelo fato dos direitos sobre o personagem estarem com a 20th Century Fox, a adaptação jamais seria feita com a fidelidade que dela se exigiria – a Marvel Studios costuma “amaciar” alguns heróis e vilões para caberem dentro da classificação indicativa. Isso não acontece em Deadpool: ele está lá, em toda a sua glória desbocada e falastrona, com frases incorretíssimas que têm potencial para ofender ouvidos mais sensíveis, e com cenas de ação que não ficam nada a dever aos feitos de seu estúdio-mãe. A melhor maneira de começar esse texto é essa, já informando a você, leitor, que se prepare, pois este filme vai deixar você embasbacado.

deadpool-poster-maze-blogE só saiu por obra, arte e força de vontade de Ryan Reynolds. Ele é a alma do longa, e dificilmente conseguiremos colocar outra pessoa em seu lugar para o personagem, assim como acontece com Hugh Jackman e sua encarnação de Wolverine. Aliás, que é de triste memória para Deadpool, pois sua aparição em X-Men Origins: Wolverine foi no mínimo vexatória. Porém, se de algo bom esse filme serviu, foi para acender em Reynolds a certeza de que ele era o cara certo para dar vida a Wade Wilson. Seus esforços para levar o filme adiante com as características únicas de Deadpool intactas foram o que tornou possível assistirmos a essa maravilha das produções de super-heróis.

Um breve resumo da história para quem não conhece: Wade Wilson tem câncer terminal e se torna cobaia da Arma X, um procedimento experimental para regeneração de células e– óbvio! – as coisas acabam saindo erradas. Wade fica desfigurado, mas acaba adquirindo poderes e um senso de humor que beira o absurdo. Com isso ele se torna o super-herói (ou anti-herói?) que não mede as palavras, mas que é extremamente habilidoso e letal; com os poderes adquiridos ele se lança em uma trama de vingança contra o homem que ajudou a acabar com sua vida: Francis, que também participou do projeto Arma X e adotou o nome de Ajax.

A maior vantagem de Deadpool para os filmes da Marvel é a sua fidelidade aos quadrinhos. Quem conhece os comics da Marvel sabe que existem cenas pesadas, palavrões, ironias que não aparecem nos filmes, pois o estúdio entende que é melhor para a bilheteria. Aqui, não se tem esse problema, já que Wade não tem qualquer pudor em usar seu humor negro contra tudo e todos, o que torna o longa divertidíssimo e cheio de sacadas sensacionais. Junto a isso, vem a direção impressionante e segura de Tim Miller, que confere energia e técnica nas cenas de ação, e não amacia na violência: é forte, gráfica. Mas é importante deixar bem claro: este filme é de Ryan Reynolds, certamente o melhor papel de sua carreira até aqui. Ao mesmo tempo em que seu Wade/Deadpool tem seu senso de humor hiper-afiado, também consegue demonstrar em pontos-chave que seu lado humano não desapareceu.

Como se não bastasse a excelência técnica da produção e o melhor roteiro de personagem Marvel produzido até aqui, repleto de referências pop tão bem colocadas quanto em Guardiões da Galáxia, Deadpool tem uma trilha sonora brilhante, composta pelo mesmo cara de Mad Max – Estrada da Fúria, Junkie XL, além de canções populares nos momentos certos. Com isso, fica fácil dizer que o filme é uma das grandes estreias desse ano, e olha que ainda estamos em fevereiro. Mesmo com tantos filmes de heróis prontos para ganhar as telas de cinema mundo afora, é improvável que uma adaptação tenha um resultado tão positivo quanto a de Deadpool.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.