RESENHA | "Em Ritmo de Fuga" é uma assertiva mistura de fórmulas de sucesso • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Em Ritmo de Fuga” é uma assertiva mistura de fórmulas de sucesso

Fábio Sina689 views

O filme Baby Driver, adaptado pro português Em Ritmo de Fuga, estava causando um grande burburinho nas bilheterias americanas e na crítica também. Quando soube que iria assistí-lo para escrever no MAZE, fiquei muito animado e com grandes expectativas. Já entrego de cara que minhas expectativas não foram frustradas.

Baby, o personagem principal interpretado por Ansel Elgort, é um motorista, um piloto de fuga. E nós já descobrimos isso na primeira cena do longa metragem, que é muito, muito boa. O filme começa literalmente num ritmo frenético, com Baby fugindo da polícia no maior estilo GTA levando a quadrilha que acabou de roubar um banco. Tudo isso é aumentado com a trilha sonora que está nos fones do personagem e é compartilhada com o público. É empolgante, e engraçado, assistir a esse início.

Com o tempo descobrimos que Baby é louco por música, como a gente, e tem uma trilha para cada momento que ele vive. As canções do filme são mais antigas, dos anos 80/90, e somado a fotografia e figurinos, traz um ar dessas décadas que é muito refrescante e leve de se assistir. É fácil achar que estamos assistindo a um musical algumas vezes, com falas bem ensaiadinhas e rimadas, músicas sincronizadas com movimentos, e até o uso de plano sequência em diversos momentos do filme.

No desenrolar da história vamos descobrindo mais sobre o personagem e as motivações que o levaram a ser um piloto de fuga. Baby não tem nada de vilão, ele é no máximo um poser bad boy. Outro ponto forte é o relacionamento dele com Deborah, interpretada por Lily James: Os atores tem uma química incrível na telona, lembro de suspirar e abrir um grande sorriso quando os dois entravam em cena com o flerte e pureza de um amor jovem e perigoso.

Num filme sobre um piloto de fuga não podia faltar, é claro, carrões, muita velocidade, e uma habilidade no estilo Velozes e Furiosos de ser. Isso é mais um ponto a favor de Em Ritmo de Fuga, que conseguindo um pouco do sucesso da franquia, estará muito bem. Em um dos roubos da quadrilha, as coisas não dão muito certo e vemos uma cena bem agoniante onde a gente acha que Baby vai ser preso. Batidas, tiros, correria, e uma trilha sonora a altura, são entregues como se o diretor Edgar Wright entendesse que naquele momento do filme os fãs já estavam impacientes por uma ação das boas.

O filme conta ainda com um elenco de peso: Jamie Foxx, Kevin Spacey e Jon Hamm são alguns dos nomes que além de trazerem um peso de qualidade para o longa, não deixam a desejar entregando ótimas atuações.

Depois do meio do filme vemos uma mudança na personalidade de Baby. Até então ele era um bom menino totalmente destoante da quadrilha que está inserido. Mas o seu amor por Deborah dá um novo sentido na sua vida, e ele vê tudo isso ameaçado, então literalmente bota pra quebrar. Ele mostra que os anos observando aqueles bandidos agindo, deram a ele essa persona perigosa e que faz o que tiver de fazer para alcançar os seus objetivos. Depois de um meio de filme mais tranquilo, devagar, o “ritmo de fuga” retorna a telona deixando o público mais uma vez ansioso para ver o que vem a seguir.

***

A adaptação do nome do filme para nossa língua é um pouco desnecessária e, apesar de fazer muito sentido, tira todo o charme e o envolvimento do nome original. De qualquer forma, Em Ritmo de Fuga é uma mistura de fórmulas de sucesso que poderia ter dado muito errado, mas pelo contrário, deu certo. Não é um filme incrivelmente maravilhoso, com uma mensagem que mude vidas e seja digna de uma indicação ao Oscar. Na verdade, é um conjunto de clichês que facilmente se passa por algo novo, inédito. O adorado de A Culpa é das Estrelas, Ansel Elgort, conseguiu levar a narrativa nas costas de forma quase impecável. Muitas estrelinhas pra ele! Daqui há alguns anos, a história de Baby com certeza entrará no catálogo da Sessão da Tarde. É aquele tipo de filme pra se assistir com a família, amigos. Agradável, leve, instigante, com boas doses de adrenalina e daqueles que te prendem na poltrona até o fim.

Ouça a incrível trilha sonora de “Em Ritmo de Fuga” no Spotify:

Fábio Sina
Estudante de Jornalismo por conveniência e artista de alma e coração. O carinha das divas teens e o taurino desse labirinto.