Resenha | "Esquadrão Suicida" • MAZE // MTV Brasil
FilmesPostsResenhas

Resenha | “Esquadrão Suicida” comentado em 4 tópicos

Luiz Henrique Oliveira2095 views

Parecia que não ia estrear nunca. A campanha de divulgação de Esquadrão Suicida dava a impressão de que seria o filme do ano, o grande renascimento da DC Comics no cinema nessa tentativa de estabelecer um universo próprio, igual ao que a Marvel vem fazendo há tempos com grande sucesso.

Tá aí: nunca fugiremos de uma comparação aos filmes da Marvel, porque é um parâmetro para filmes de super-herói. Isso é um fato incontestável até pelo mais árduo defensor da DC. E tudo indicava que o estúdio, juntamente com a Warner, teriam aprendido a lição que a arquirrival desenhou em sua história cinematográfica, jogando para longe o clima de perpétuo funeral que recheou os filmes de Christopher Nolan e, mais ainda, a escuridão sem sentido dos recentes filmes do Zack Snyder (inclusive, Batman vs Superman deve deter o recorde de filme que envelheceu mais rápido: foi lançado em janeiro e não deixou saudades).

Uma pena que tudo isso ficou na base das hipóteses. Mas ninguém pode acusar a DC/Warner de ter tentado.

Para exemplificar melhor, vamos falar em partes sobre o motivo do aguardado Esquadrão Suicida não ser tudo aquilo que se esperava dele.

esquadrao-suicida-banner-nacional-maze-blog

#01 – DC agora é pop, mas é um pop forçado

Inegavelmente esse é o melhor filme da DC, no que diz respeito ao formato de sua produção. As músicas que compõe a trilha sonora foram muito bem escolhidas, e o filme tem uma pegada mais agitada, com mais cor e mais humor. A produtora também aprendeu a fazer cenas pós-créditos funcionais – é bom ficar sentado lá até o fim dos primeiros créditos. Mas a cada frame a pegada de Esquadrão Suicida soa como um humor forçado, com exposição demais (quando os personagens falam o que está acontecendo na cena, como numa novela) e sacadas que são 8 ou 80: se não funcionam muitíssimo bem, são constrangedoras.

A escolha dos atores também ajudou bastante para que o filme não se tornasse uma bomba: Will Smith tem seu melhor papel (fora seus filmes sérios) em anos, enquanto Viola Davis, que já atua melhor que um elenco inteiro usando apenas uma expressão facial, se impõe como Amanda Waller a cada vez que surge em cena. O resto do “esquadrão” tem seus momentos com algum destaque para a história de Diablo (papel que Jay Hernandez defende muito bem), mas em regra entram mudos e saem calados: são coadjuvantes de Smith, Davis e a melhor do filme, Margot Robbie. Isso nos leva a um próximo tópico.

#02 – E o Oscar de melhor cara de louca vai para: Margot Robbie

O filme é dela. As melhores sacadas de humor e o melhor arco dramático é dela. E ninguém diria uma coisa dessa há pelo menos três anos, quando Margot Robbie não era um rosto conhecido em Hollywood. Bastou atuar – e às vezes roubar a cena – com Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (de Martin Scorsese) que todos os diretores quiseram contar com o carisma e a beleza da atriz de 25 anos. Em Esquadrão Suicida ela encontra o tom certo para Harley Quinn, misturando a loucura com uma ponta de tristeza por conta de sua relação claramente abusiva com Coringa. E essa conexão entre os dois vilões é explorada em flashbacks um pouco confusos, mas a expressão de tristeza da personagem diante da cena de um casal se beijando valeu por dezenas de cenas de luta. Outros personagens têm um arco dramático bem definido, a exemplo do Pistoleiro e o trágico Diablo. Mas é a Arlequina que salva o filme? A resposta é: sim.

Margot Robbie é Arlequina em “Esquadrão Suicida”.
Margot Robbie é Arlequina em “Esquadrão Suicida”.

#03 – Mas, e o Coringa?

Frustração define. Foi uma oportunidade jogada no lixo de desenvolver um personagem já icônico. Enquanto Margot Robbie tem tudo para entrar para o imaginário popular na pele de Arlequina, o Joker de Jared Leto é descartável, dispensável. Suas aparições não contribuem em nada para o desenvolvimento da história, e cada aparição sua soa como uma participação especial deslocada. Houve muita expectativa a respeito de sua atuação; fãs exaltados o colocavam na briga pelo Oscar no ano que vem pelo papel. Infelizmente, seu Coringa não possui nada demais, aparece em cena por 20 minutos e nem demonstra o grande talento de Leto. Mas com a inevitável continuação, pode ser que ele seja melhor aproveitado.

"Esquadrão Suicida": Jared Leto e Margot Robbie em cena.
“Esquadrão Suicida”: Jared Leto e Margot Robbie em cena.

#04 – É tiro para todo lado, mas pouca coisa acerta o alvo

David Ayer dirigiu Esquadrão Suicida, vindo de um filme de guerra, Corações de Ferro (aquele com Brad Pitt). Sua direção já era meio confusa naquele longa, sem saber definir se é drama, se é suspense. Ele traz o mesmo problema para seu roteiro/direção aqui, e no fim das contas a película termina sem ter entregado nem 50% do que prometeu. Fica uma maçaroca confusa, o filme começa “descolado”, e do nada tudo some e vira um filme mais dark para depois virar outra coisa e assim por diante. Descontando as atuações (e umas participações especiais bem interessantes e mais importantes que todas as aparições do Coringa), mais uma trilha bem escolhida, Ayer não sabe muito bem o que fazer com o time em cena e acaba prolongando a ação até que ela se torna um tanto quanto… cansativa.

Aí você pergunta: vale a pena ver esse filme ou não? Esquadrão Suicida, que tinha tudo para ser o Guardiões da Galáxia da DC/Warner, acabou virando um filme divertido com alguns destaques, mas que se perde no meio da bagunça. Nada além disso. A DC ainda tem muito o que aprender.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.