Resenha | "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “De Volta ao Lar” traz o melhor Homem-Aranha do cinema até agora

Luiz Henrique Oliveira451 views

Quando a Marvel recuperou os direitos sobre o Homem-Aranha, que estavam com a Sony desde o começo dos anos 2000, criou-se uma enorme expectativa a respeito de como o Teioso seria abordado em sua nova encarnação. Afinal, seria a terceira – a primeira rendeu a famosa trilogia estrelada pelo Tobey Maguire que rendeu dois filmes ótimos e um filme ruim, enquanto a segunda foi estrelada pelo Andrew Garfield e rendeu dois filmes medianos. Ninguém sabia o que estava por vir; o que havia era especulação.

Mas ninguém poderia imaginar que dessa história toda sairia não só o melhor filme do herói até o momento, mas também a melhor transposição de um personagem da Marvel para as telas do cinema. Calma, eu vou explicar por quê.

O Amigão da Vizinhança voltou!

O Peter Parker que vemos em Homem-Aranha: De Volta Ao Lar é quase literalmente o que se conhece do personagem criado nas HQs clássicas de Stan Lee e Steve Ditko. Não há quase nada do jovem adulto meio bobo dos filmes da década passada, ou do Peter “cool” dos dois filmes seguintes: aqui, ele é o adolescente que ainda está descobrindo seu lugar no mundo, tentando se encaixar na sociedade, com problemas típicos da sua idade: procurando a sua turma, estudando para se dar bem nas provas, tentando chamar uma garota para ir ao baile. E essa força vem tanto do roteiro estruturado de forma magistral [e escrito por seis (!) pessoas, incluindo o diretor Jon Watts] quanto da divertida atuação e carisma de Tom Holland, que já havia provado ser um ótimo ator desde pelo menos 2012, quando estrelou O Impossível ao lado de Naomi Watts e Ewan McGregor.

E não somente Peter está igual ao que se vê nos quadrinhos. O herói também está mais parecido com a ideia original, ou seja, o amigão da vizinhança aparece de verdade pela primeira vez, seja dando informações a velhinhas na rua, ou pegando ladrões de bicicleta. O Homem-Aranha aqui é um super-herói que ainda não sabe que é super, está no processo de moldagem, de criação. E assistir a esse desenvolvimento é que dá a graça do filme.

Os paizões (e vilões medianos)

Cabe a Tony Stark e Happy Hogan, papéis de Robert Downey Jr e Jon Favreau, fazerem as vezes de tutores de Peter/Homem Aranha neste filme, visto que não há qualquer vestígio de sua história de origem (Tio Ben, a aranha radioativa, toda a história que já conhecemos não é mostrada justamente porque não precisa, nós já sabemos). Então a figura paterna é dividida entre os dois, que também servem como excelente coadjuvantes cômicos do longa – o tempo de tela é bem enxuto, para permitir que o personagem principal brilhe com força.

A questão paterna (e família em geral) é uma questão importante em “De Volta Ao Lar”. Tanto para o lado dos heróis quanto para os vilões.

Entretanto, esses últimos deixam um pouco a desejar. Michael Keaton é sempre ótimo e a história do personagem começa muito bem, mas o roteiro não dá a profundidade necessária para que seu vilão Abutre crie um clima de ameaça realmente séria para o Homem-Aranha até a terceira parte do filme – quando o negócio realmente esquenta e o filme engrena para a conhecida ação desenfreada ao estilo Marvel. Mas até que se chegue nesse ponto, que utiliza um excelente plot twist como momento de virada, o Abutre e sua gangue parece mais um mercador egoísta e tão preocupado com si mesmo que não parece oferecer qualquer risco ao protagonista. Mas é bom frisar: nada que estrague a experiência.

Mais uma vez, a competência da Marvel

Definitivamente o Homem-Aranha está inserido no Universo Cinematográfico da Marvel. As pontas que ficaram em “Guerra Civil” são ligadas e ele se integra de forma natural a todo o emaranhado de histórias que formam a gigantesca saga. Nem parece que o herói não estava ali antes, tamanha é a desenvoltura do longa em colocá-lo dentro dessa narrativa maior.

Mas como filme em separado, Homem-Aranha: De Volta Ao Lar ganha pontos por conta da direção segura, mas intensamente pop de Jon Watts, que capricha nas cenas de ação enquanto abusa do humor físico para criar a graça do filme. Fica a enorme sensação de que as duas horas gastas para assisti-lo foi muito pouco. E ao fim da melhor cena pós-créditos da história das cenas pós-créditos, pode se chegar a conclusão de que o longa é um entretenimento de altíssima qualidade, um dos melhores de 2017.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.