Resenha | "Independence Day: O Ressurgimento" • MAZE
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Resenha | Com “Independence Day: O Ressurgimento”, ganhamos mais um clássico de sessão da tarde

Luiz Henrique Oliveira1 comment2649 views

Em 1996, eu tinha dez anos e adorava filmes de ficção científica. E o marketing sempre eficiente da 20th Century Fox me deixou louco para ver aquele que era tido como o grande filme-pipoca do ano: Independence Day trazia o astro em ascensão Will Smith, nomes já consagrados como Jeff Goldblum e Bill Pullman e a promessa de efeitos visuais impressionantes. E para mim, criança, tudo foi cumprido. Para o grande público também: o longa está no imaginário popular desde então, fazendo a festa nas sessões da tarde da vida e abriu a porta para outros similares invadirem os cinemas – e que nunca saiu de moda.

Vinte anos depois, Rolland Emmerich, roteirista-diretor do primeiro longa e que viria a dirigir mais filmes-catástrofe como O Dia Depois de Amanhã, Godzilla (aquele primeiro, de 1998) entre outras coisinhas mais, resolveu que era hora de chamar os ETs de volta para novamente destruírem a Terra. Aproveitando o avanço dos efeitos visuais, ele idealizou e novamente dirigiu Independence Day: O Ressurgimento e mostra que ainda sabe acabar com o planeta como ninguém, e ainda nos dá um novo clássico para as tardes.

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O filme é praticamente uma desculpa para mostrar tudo aquilo que não era possível há vinte anos. O resultado tem proporções épicas: as armas são maiores, as naves são melhores, tudo no que diz respeito a qualidade dos efeitos visuais é impecável. Pode-se apostar com segurança em alguma indicação nos Oscars do ano que vem, muito provavelmente o de Efeitos Visuais.

A história, à semelhança do original, é quase absurda de tão simples: os extraterrestres voltam não só em busca de vingança, mas também do núcleo da Terra, que podem usar para abastecer suas naves e continuar destruindo civilizações pela galáxia. Passados vinte anos, a humanidade (no filme) evoluiu, deixou todas as guerras de lado e criou armas aproveitando a tecnologia avançada que os invasores deixaram em sua queda; porém, não se encontravam suficientemente preparados para o retorno deles. E somente os heróis de 1996, como o ex-presidente Whitmore (papel de Bill Pullman), David Levinson e seu pai (interpretados por Jeff Goldblum e Judd Hirsch), o general Adams (William Fitchner) podem achar a maneira de derrotá-los mais uma vez, junto de outros auxiliares, como Jake Morrison (Liam Hemsworth), Patricia Withmore (Maika Monroe) e Dylan Hiller (Jessie T. Usher), sendo esses dois últimos filhos, respectivamente, de Whitmore e do Capitão Hiller, figura central do primeiro filme que morreu em um teste de avião de caça.

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Fica evidente a preocupação em trazer de volta o espírito noventista que gerou Independence Day. Felizmente, esse esforço surtiu efeito, porque O Ressurgimento tem todos os elementos que qualquer pessoa que tenha vivido nos anos 90 saberá reconhecer: os alívios cômicos, a ação desenfreada, a moral americana acentuada. E ainda apresenta a história dos dois filmes para as novas gerações: quem não assistiu o primeiro vai ficar morrendo de vontade de ver. Novamente ressaltando a qualidade dos efeitos, é preciso dar o devido destaque para a cena que mostra a chegada dos ETs – a tensão muito bem construída, inserindo todos os personagens em diferentes lugares no mesmo evento, e as naves absurdamente realistas, em conjunto com recriações de pontos turísticos fidelíssimas, fazem com que já seja uma das melhores cenas do ano.

Vemos personagens antigos como se não se tivesse passado tanto tempo, e isso se deve ao talento dos envolvidos, em especial Goldblum e Pullman, certamente acostumados a relembrar seus personagens durante todo esse tempo. A falta gritante é de Will Smith, que se recusou a participar da continuação e teve seu personagem morto em um acidente. Em seu lugar entra o filho Dylan – que infelizmente não tem o mesmo carisma de seu “pai”, lacuna preenchida com sucesso pelo Jake que Liam Hemsworth construiu.

Por mais que Emmerich e seu time de roteiristas (o filme foi escrito com mais quatro pessoas além dele) teimem em estragar O Ressurgimento nos últimos quinze minutos de filme, onde fica claro o quanto a história é simplista demais em sua ovação aos Estados Unidos e ignorando o resto do mundo igualmente atacado e com um final que não faz muito sentido a não ser que se pense em transformar Independence Day em uma franquia, o filme é uma grande prova de que nem toda continuação é ruim. É divertido, contagiante e merece ser visto em uma boa sala de cinema.

E para mim, que lá em 1996 vibrei com a humanidade vencendo as adversidades do espaço, novamente voltei a comemorar – e isso me deu um baita deja-vu.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.