Resenha | O Oscar de 2017 já tem dono: "La La Land" é o melhor filme do ano • MAZE // MTV Brasil
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Resenha | O Oscar de 2017 já tem dono: “La La Land” é o melhor filme do ano

Luiz Henrique Oliveira8671 views

Críticas devem ser impessoais para que você, leitor, possa ler o texto como uma opinião imparcial. Pode notar: dificilmente uma crítica é escrita em primeira pessoa. Mas hoje eu quero quebrar essa regra e pedir sua licença para te contar uma história que aconteceu na sessão de imprensa de La La Land, filme de Demian Chazelle que vem sendo a grande sensação em festivais e premiações desde o fim do ano passado. É o seguinte: as pessoas que trabalham com cinema, indo nas cabines de imprensa para analisar o filme e escrever as críticas que povoam sites, revistas, jornais e blogs tendem a ser pessoas que não se deixam levar pela emoção facilmente, visto que, como eu disse no começo do parágrafo, é preciso ser imparcial. Quando o filme começou, ouvi um ou outro dizendo “Ah, não! Outro filme onde as pessoas cantam ao invés de falar!”. Confesso que eu estava nesse mesmo pensamento. Duas horas depois, quando as luzes se acenderam, praticamente a sala toda – lotada até as tampas – estava chorando. Não há no horizonte cinematográfico de 2017 um filme que seja capaz de fazer uma coisa dessas. Saí da sala totalmente convicto de que La La Land é o melhor filme do ano, e ponto final.

Chazelle – o roteirista e diretor do longa – tem uma carreira curta. Escreveu um ou outro filme de menor expressão e explodiu mesmo com Whiplash – Em Busca da Perfeição, que roubou a cena em 2015 e abocanhou 3 Oscars. Então seria natural esperar o que o rapaz de 31 anos faria a seguir, mas ninguém esperava um domínio praticamente perfeito da linguagem cinematográfica, uma direção tão segura e um roteiro tão bem amarrado. E não resta qualquer dúvida de sua qualidade como diretor de atores: Ryan Gosling e Emma Stone têm a performance de suas vidas, interpretando Sebastian e Mia: ele, aspirante a pianista; ela, aspirante a atriz. O filme conta a história dos dois, dividida em quatro segmentos que representam as estações do ano (por isso o título nacional traz o “Cantando Estações” embaixo do nome original). Ambos trazem atuações dignas de Oscar revelando aos poucos as personalidades de seus personagens — a insegurança dela, a paixão dele pela música — e cativando pela empatia: Gosling e Stone formam um casal magnético em cena.

E tudo fica ainda mais bonito com uma fotografia de tirar o fôlego: os contrastes, os jogos de luz e sombra e uma luminosidade típica dos musicais dos anos 50 e 60 que faria a dupla Stanley Donen e Gene Kelly (ambos dirigiram o clássico Cantando na Chuva) sorrirem orgulhosos. Tudo isso orquestrado com a mão cheia de Demian Chazelle, que conseguiu fazer até John Legend atuar bem. Já podemos dizer que La La Land é um clássico instantâneo, em um ano que já trouxe outro filme que ficará na História do Cinema: A Chegada, de Denis Villeneuve.

Todas as canções encaixam-se perfeitamente no enredo, desde o número de abertura empolgante e tecnicamente impecável, até a cena final que… bem, como não sou de dar spoilers, você terá de assistir pra saber. O que posso dizer com certeza é que La La Land não é um filme cerebral, mas sim que fala diretamente aos sentimentos, ao coração. É impossível ficar indiferente a essas duas horas de pura magia que só o Cinema pode nos entregar, mas também com um pézinho no chão que nos lembra o que é a vida: cheia de caminhos, uns tortuosos e outros coloridos, e que depende apenas de nós escolher qual rumo queremos tomar.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.