RESENHA | O crescimento de Lorde em "Melodrama", uma artista que nunca foi imatura • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | O crescimento de Lorde em “Melodrama”, uma artista que nunca foi imatura

Leonardo Drozino1890 views
Lorde - Melodrama resenha MAZE

Quatro longos anos se passaram desde que Ella Yelich-O’Connor fez o mundo voltar seus olhos para a Nova Zelândia. A jovem, adotando o nome artístico Lorde fez barulho com seu popular hit “Royals” e elogiado álbum de estreia, Pure Heroine.

Após a explosão inicial, a cantora aos poucos foi se retirando dos olhos do público. Mas o que conquistou em tão pouco tempo, foi o suficiente para que ela se tornasse inesquecível. As pessoas mudam com o tempo, e com ela não poderia ser diferente. Enquanto seu público esperava ansiosamente por um novo disco, ela estava vivendo. Algumas notáveis colaborações em trilhas sonoras e com outros artistas, apresentações e até mesmo a benção de David Bowie. Nesse meio tempo, ela também vivenciou uma grande decepção amorosa. Essa é a maior inspiração para seu segundo disco, Melodrama.

O álbum foi escrito e produzido com o produtor Jack Antonoff em um período de um ano e meio. “Green Light”, primeira amostra do disco foi também a primeira a ser escrita para o trabalho.

Essa música é sobre aqueles momentos imediatos após a sua vida mudar e sobre as coisinhas bobas que você fica dando importância. Tipo: “ela acha que você ama a praia, você é um mentiroso”. Mas que merda, ela acha que você gosta da praia? Você não gosta! É sobre essas coisas. A música soa tão feliz, mas é tão obviamente intensa. Então percebi que se trata de uma garota dançando bêbada, em uma festa, chorando por causa do ex-namorado que ninguém aprova. Ela está desse jeito nessa noite, mas no dia seguinte ela começa a se reconstruir. Para mim, é sobre isso a música”. (Beats 1)

Trata-se de um disco conceitual, durante uma festa na casa de alguém. Lorde reflete sobre vários temas recorrentes da vida adulta, assim como os lados bons e ruins da solidão. A artista mantém sua autenticidade no conteúdo lírico do álbum – que assim como na sua estreia – centra-se em eventos ocorridos na Nova Zelândia e envolvendo ela e seus amigos.

A grande sacada do disco fica no destaque dado para a voz grave da cantora.  Canções como “Liability”, “Sober II (Melodrama)” e “Writer In The Dark” dispensam alguma variedade de instrumentos e grande produção. No entanto, conseguem com muito pouco devastar os corações de quem está escutando. A simplicidade no som, porém, não é uma constante ao longo das 11 faixas que compõem o tracklist do trabalho. Há uma divisão equilibrada de espaço com melodias mais felizes e dançantes, que quebram a melancolia da imersão causada pelos tons reflexivos e mais sombrios das baladas.

Capa de “Melodrama”, segundo álbum de Lorde. (Universal Music/2017)

Um single óbvio (e forte candidata a melhor faixa do álbum), “Homemade Dynamite” consegue soar original e interessante logo na primeira audição. O refrão viciante, com o imperdível “d-d-d-d-ynamite” é tudo que uma boa canção pop poderia precisar. A faixa é um bom exemplo do feito da cantora em conseguir combinar no disco melodias convidativas com toda a estética característica da música indie e alternativa.

A sonoridade, construída no repertório não é estranha, mas passa longe da colagem e repetições de fórmulas que tornaram a música pop mainstream desinteressante nos últimos anos. Alguns elementos como os instrumentos de sopro em “Sober”, os sintetizadores industriais em “Hard Feelings” e instrumentos de corda em “Sober II (Melodrama)”, são essenciais para definir os momentos especiais do disco que oscilam entre tons mais quentes e por mais vezes, frios.  O álbum é uma viagem sonora cheia de nuances e muito interessante de explorar.

“É uma coleção real de momentos, pensamentos e memórias de quando eu disse para mim: “Não se esqueça disso”.” (Vanity Fair)

O jeito único de traduzir emoções aterradoras em melodias e versos é uma parte da Lorde que nunca morreu. Melodrama é sobre o que vem depois de tudo isso, agora como uma jovem mulher. Ela permite-se dançar em cima do muro que a separa de ser a adolescente curiosa, da adulta chata, que enxerga o mundo em tons acinzentados.

Em um momento ela está lidando com as dificuldades de ser uma pessoa só após o fim de um relacionamento. Felizmente, logo trata de dar a volta por cima. Um pouco mais velha desde que rebelou-se sem dar a mínima para nada, mas quem liga? Ela ainda é jovem e há muito a se ver nessa vida.

Ouça o “Melodrama” de Lorde no Spotify:

Leonardo Drozino
Escritor, redator do MAZE e cupido nas horas vagas.