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RESENHA | “MIB Internacional” aposta no carisma da dupla principal, mas é esquecível

Luiz Henrique Oliveira4309 views
RESENHA | MIB Internacional aposta no carisma da dupla principal, mas é esquecível

“MIB Internacional” tenta dar um reboot em uma das franquias mais legais dos anos 90. Tentar recriar um filme dos Homens de Preto sem Will Smith e Tommy Lee Jones já seria uma tarefa hercúlea. A química entre os astros era simplesmente perfeita: como emular isso com outros atores?

Veja a crítica em vídeo aqui:

No entanto, o filme consegue pelo menos essa proeza. Chris Hemsworth e Tessa Thompson, já conhecidos do público como Thor e Valquíria nos filmes dos Vingadores, repetem essa química especial e incendeiam o filme. É uma pena, portanto, que não seja suficiente para salvá-lo da indiferença.

Acontece que, apesar de todos os elementos clássicos dos filmes anteriores do MIB estarem lá, o roteiro não ajuda muito. É fraco e inconsistente, e não sabe que direção quer tomar. Ao mesmo tempo em que investe na comédia mais boba, tenta dar profundidade à história, que nada mais é a reedição do filme de 1997. No lugar de Smith entra Thompson; no lugar de Jones, entra Hemsworth. A dinâmica é a mesma, o que difere é o gênero: há espaço para uma discussão feminista, bem atual e também muito bem vinda. No resto, porém, o filme se atrapalha.

Há ainda um traço de humor no personagem dublado por Kumail Nanjiani, que é uma das melhores coisas do filme. Por outro lado, há um claro desperdício dos talentos envolvidos, principalmente os veteranos. Liam Neeson e Emma Thompson são quase figurantes, mesmo que seus personagens sejam importantes para a narrativa.

Roteiro fraco demais compromete MIB Internacional

RESENHA | MIB Internacional aposta no carisma da dupla principal, mas é esquecívelMas é o roteiro que coloca tudo a perder. É fraco demais no desenvolvimento dos personagens, deixando todos unidimensionais. Não há nuances, não há um trabalho para trazer camadas a eles. Os vilões de MIB Internacional conseguem ser piores – praticamente sem motivações – do que os mostrados em “Homens de Preto 3″, lançado em 2011. Certamente isso é um problema difícil de sanar.

Afinal, se você não acredita no perigo que a dupla de agentes corre, como “comprar” a história como um todo?

MIB Internacional também tem alguns pontos positivos interessantes. Os efeitos visuais continuam excelentes, assim como a direção de arte. Mesmo sendo equipes completamente diferentes, souberam atualizar os designs das armas e dos cenários sem perder a aura tão conhecida dos filmes anteriores. O filme é quase que completamente ancorado no carisma da dupla principal; no entanto, tem esses pequenos brilhos que podem servir como alento.

E só como isso mesmo. MIB Internacional tinha tudo para ser um filme que traria de volta uma saga fantástica como a da agência secreta que regulamenta os extraterrestres. Os dois atores aqui entregam o melhor de seus talentos, mas não há como discutir: Will Smith e Tommy Lee Jones fazem uma falta danada. E um bom roteirista também.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.