RECOMENDAMOS | "1922" é um terror psicológico tenso e instigante • MAZE // MTV Brasil
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RECOMENDAMOS | “1922” é um terror psicológico tenso e instigante

João Neto226 views

1922” chegou a Netflix em 2017, e foi baseado em um conto homônimo do aclamado escritor de terror e ficção policial Stephen King. O autor de obras-primas como “It – A Coisa” e “Carrie – A Estranha” teve a sua história original lançada no Brasil em 2015, na coletânea “Escuridão Total sem Estrelas”. Dessa forma, este longa se junta a tantas outras adaptações das obras do escritor. Entretanto, entre montes de tentativas fracassadas de levar as histórias do escritor para as telas, esta se sobressai.

O filme teve direção de Zak Hilditch, mesmo diretor de “As horas finais” de 2013 e “Transmission” de 2012. Trouxe no papel principal a participação de Thomas Jane, como o fazendeiro Wilfred James. Além dele, também estão em “1922” a atriz Molly Parker, como Arlette James, e Dylan Schmidt como Henry James, filho do casal. Juntos, eles formam o núcleo familiar dessa história de terror, mas que pouco tem a ver com o estilo sangrento dos filmes atuais do gênero. Dessa forma, o longa é um achado dentro do catálogo da empresa de streaming.

Em meio a realidade pacata de uma fazenda no começo do século XX, “1922” conta a história da família James. Arlette, que herdou de seu pai a fazenda onde vivem, não está satisfeita com a vida que leva. Ela tenta convencer o marido e o filho de que o ideal seria que vendessem a propriedade. Dessa forma, poderiam se mudar para uma casa na cidade grande. Wilfred vê nessa decisão, além de um erro, uma ameaça à vida que levam. Ele é um homem habituado com a vida sossegada do campo, cuidando de sua plantação e dos animais. Consequentemente, ele não aceita a decisão da esposa e, junto com o filho, planejam a sua morte.

 

Um filme lento e poderoso

Como um bom terror psicológico, “1922” não se trata de um filme cheio de “jumpscare” e pode não agradar aos fãs de filmes como “Atividade Paranormal”. Estes podem achar a obra parada ou maçante. Entretanto, o foco do filme não é o crime em si ou a aparição de assombrações vindas do pós morte. No primeiro momento depois do assassinato, Wilfred James se vê livre da ameaça de perder sua fazenda e ir morar em meio ao caos de uma metrópole. Porém, com o passar dos dias e a ausência da esposa e da mãe, pai e filho se veem soterrados com a culpa do crime que cometeram.

Dessa forma, além do medo de serem descobertos, precisam também lidar com o que essa descoberta pode acarretar em suas vidas. É aí que o filme toma forma. Acompanhamos a agonia que pai e filho sentem em continuar vivendo e em adequar suas vidas à realidade de um crime cometido. Tudo isso para que não saíssem de suas zonas de conforto.

 

Uma adaptação bem sucedida

Inúmeras vezes as adaptações feitas para cinema e TV dos livros de Stephen King foram fracassos de público e crítica. São vários os exemplos das obras do escritor que não agradaram nem aos fãs de suas histórias. Muito menos às pessoas que não as conheciam: alguns exemplos mais recentes foram as adaptações de “A Torre Negra” para o cinema e “O Nevoeiro” para a TV.

Ambos podem ser citados como filme e série que ninguém indicaria depois de assistir. Entretanto, esse não é o caso de “1922”. O roteiro bem escrito deu forma a um filme que pode ser considerado direto sem ser “simples”. Os personagens fazem uso de um texto rude, duro, e a história é contada de maneira que tende a prender quem o assiste, mesmo que se trate de um filme de terror com poucas cenas sangrentas, como a cena do assassinato, por exemplo.

Consequentemente, o filme pode ser considerado um ótimo terror, ao mesmo tempo em que também tem boas doses de drama. Dessa forma, a agonia que sentimos ao assistir a história de pai e filho vai aumentando ao longo do tempo. Além disso, sentimos a dor das consequências que vão chegando aos poucos para os dois. A tragédia toma conta dessa família, e culmina em um final que permite uma extensa reflexão.

Portanto, “1922” é um ótimo filme para quem procura um terror psicológico de qualidade na Netflix. Ele foge das armadilhas do terror gore, e se arvora em filmes que mexem mais com nossa cabeça. Seguindo o exemplo de longas como “A Bruxa“, “1922” oferece um teste de nervos ao espectador, tornando a experiência de assistir a esse filme em uma verdadeira agonia – no bom sentido, como o mestre Stephen King sabe fazer.

João Neto
Paraibano de nascimento, atualmente morando em Curitiba, leitor assíduo, graduado em Biblioteconomia e livreiro por profissão com um vício intenso no consumo de séries e filmes e outro maior ainda em escrever o que achou deles.