Resenha | "O Caçador e a Rainha de Gelo" • MAZE // MTV Brasil
FilmesPostsResenhas

Resenha | “O Caçador e a Rainha de Gelo”

Luiz Henrique Oliveira4216 views

Branca de Neve e o Caçador foi um sucesso inesperado. Era para ser um filme, digamos, passageiro – nada que trouxesse a fama e a bilheteria que acabou trazendo; uma parte disso se deve ao inegável carisma de Chris Hemsworth e Charlize Theron. Entretanto, o que chamou mesmo a atenção nesse longa foi o cuidado com os cenários, figurinos e efeitos visuais – os dois últimos chegaram a receber indicações ao Oscar.

Dito isso, a Universal Pictures percebeu que podia esticar ainda mais a história, e até mesmo desenvolvê-la melhor. Por isso surgiu O Caçador e a Rainha de Gelo, que explica algumas histórias anteriores aos eventos do primeiro filme, e lhes dá continuidade. E com certeza foi uma decisão acertada.

O plot, em si, é bem simples: o Caçador (papel de Hemsworth) é convocado pelo Reino de Branca de Neve para encontrar o poderoso espelho mágico que pertenceu a Ravenna (Theron), e que misteriosamente sumiu. Contando com a ajuda de uma trupe de quatro anões, ele acaba se encontrando com seu passado, encarnado na Rainha de Gelo (Emily Blunt), e com a sua namorada de infância, Sara (Jessica Chastain). A Rainha quer, desesperadamente, a posse do espelho. E cabe ao Caçador impedir.

Mais uma vez a Universal fez bonito nos detalhes: o Reino de Gelo é uma vastidão branca, pontuada com pequenos detalhes que remontam ao passado trágico da Rainha, enquanto o Reino de Branca de Neve é solar, colorido, com lembranças do Condado (vide: Senhor dos Anéis). Assim como os figurinos, novamente a cargo da oscarizada Coleen Atwood, são continuações conceituais do que foi visto no longa de 2012. Há uma espécie de “pressa” do diretor Cedric Nicolas-Troyan em desenvolver logo a trama e passar para o clímax, que deixa algumas situações um pouco confusas – e sua câmera sempre tremida, para dar a impressão de urgência e “realidade”, incomoda um pouco nas cenas de ação, que ironicamente são excelentemente coreografadas. Mas nada que atrapalhe o resultado final: O Caçador e a Rainha do Gelo é um ótimo entretenimento.

E não se poderia chegar nesse resultado sem o trabalho dos atores. Enquanto Hemsworth, Theron e Chastain fazem o básico para segurarem seus papéis, o grande destaque está em Emily Blunt. Sua Rainha do Gelo traz um background de sofrimento e raiva do qual é possível compartilhar por conta das cenas que abrem o filme. Sua atuação é excelente porque sugere espontaneidade, surpresa, ódio e ao fim, pena; tudo isso com poucas falas e muita expressividade.

Ao fim, O Caçador e a Rainha de Gelo é um bom divertimento e também serve como continuidade digna a um filme que fez sucesso quase que por acaso. Assistir aos dois em seguida deve ser uma experiência interessante, mesmo que não precise conhecer um para ver o outro. E claro, existe o inevitável gancho para uma continuação.

Ou seja: nasceu mesmo mais uma franquia.

Pôster nacional de "O Caçador e a Rainha do Gelo" - Universal Pictures
Pôster nacional de “O Caçador e a Rainha do Gelo” – Universal Pictures
Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.