RESENHA | "Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”

Luiz Henrique Oliveira410 views

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” é um filme complicado. É possível chegar a essa conclusão não por causa de sua história, mas sim por conta de suas falhas. Esses problemas acabam sendo muito superiores às suas qualidades. É realmente uma pena que a roteirista J.K. Rowling, a mente por trás de toda a saga “Harry Potter”, não tenha condensado enredos e desenvolvido personagens de uma maneira satisfatória. Foi essa falha gerou um filme denso, mas absolutamente confuso.

Uma legião de fãs de “Harry Potter” estarão à postos no dia da estreia do filme, por amor a essa saga mágica. Em todos os sentidos. O que todos esperam é uma diversão de duas horas que os leve de volta para a mística terra dos bruxos. Afinal, foi isso que tanto fez sucesso na primeira década deste século. Por esse lado, o filme é vitorioso. A qualidade técnica de “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” é inegável, tendo vários atrativos. Entretanto, qualquer pessoa que preste um pouco de atenção no que está sendo contado percebe que todo esse esmero da produção esconde um filme vazio de significado.

 

Harry Potter para adultos

“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” parece uma continuação direta do filme de 2016, mas em muitas passagens aparenta ser uma espécie de reboot. Isso porque o longa anterior, que foi um relativo sucesso de crítica mas encantou o público, tinha uma linha narrativa bem definida. Havia um começo, meio e fim, deixando um gancho para um possível filme seguinte. A decisão de Rowling de fazer mais quatro filmes impôs uma dúvida. Como esticar uma história que já era, por si só, bastante rasa?

A solução foi usar essa segunda produção para “começar de novo”: não somos novamente apresentado aos personagens, pois há a certeza de que já sabemos quem eles são. O enredo parece girar em falso o tempo todo, tentando justificar tudo. O filme tem um começo (arrebatador, por sinal), mas não tem meio e nem fim. Serve como ponte para os próximos – mas é uma ponte vazia e carente de alma.

Essa espécie de “Harry Potter para adultos” chama a atenção mesmo por conta de seu design de produção. O diretor David Yates foi “importado” dos últimos filmes de Potter. Ele soube dar ao longa uma atmosfera pesada, como se um perigo pairasse no ar a todo momento.

A fotografia mais escura pesa a mão nas cores frias. Passa a impressão de perigo e até mesmo uma certa tristeza. Sempre somos alertados de que uma força maior está pronta para tomar o poder. Seja pela fala de algum personagem, seja por conta da opressão criada pelo clima da produção.

 

Atuações

A maioria das atuações, por sua vez, estão corretas. Johnny Depp consegue até desenvolver seu Grindelwald, mesmo que isso não signifique muita coisa – o ar de mistério que envolve o personagem impede que possamos conhecer todas as suas motivações (certamente, os produtores imaginaram que é melhor guardar essas informações para os próximos filmes). E por incrível que pareça, ele é o destaque.

Todos os outros são mal delineados: apesar do longa ter duas horas, quase nenhum deles tem tempo de tela suficiente para construir uma atuação que explique quem são e para que vieram.

Eddie Redmayne, por outro lado, não traz nada de novo ao seu Newt Scamander. Continua com os mesmos tiques esquisitos e que nada acrescentam para a construção narrativa. Dessa forma, ele dá um tom monocórdio irritante para o personagem. Só mesmo a devoção dos fãs das histórias de Rowling consegue fazer suportar.

 

Um problema narrativo

É esse o maior problema de “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”. Há personagens demais para pouca história. O filme parece inflado, com pessoas entrando e saindo sem qualquer explicação que justifique a sua inclusão no filme. É um problema narrativo comum a filmes infanto-juvenis que pretendem esticar seu enredo para outros filmes.

A ideia aqui é que que “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” sirva como ponte para tramas maiores que aparecerão nos próximos anos. Entretanto, essa ponte já nasce queimada, pois a história caminha em círculos, sem apresentar nada de relevante até seus minutos finais.

A revelação mostrada nos últimos minutos de “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” é impactante para os fãs da série, mas parece totalmente forçada. Não justifica passar um par de horas no cinema apenas para isso. A impressão que passa é que um curta metragem foi esticado ao máximo, com elenco inchado, para se adaptar ao cinema e ao formato de longa.

É realmente uma pena, pois todo o resto varia entre excelente (figurinos, efeitos especiais, design de produção) a razoável (atuações).

Por fim, “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” não cumpre a promessa de ser um dos grandes eventos cinematográficos do ano, com grande impacto cultural, como foi “Os Vingadores: Guerra Infinita”. Certamente isso acontecerá entre o quarto e o quinto filme dessa saga – até lá, vamos ter que aguentar certa enrolação, mas que fará a alegria de quem ama entrar no mundo mágico criado por J. K. Rowling.

 

 

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.