RESENHA | "Planeta dos Macacos: A Guerra" • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Planeta dos Macacos: A Guerra” finaliza a trilogia de forma bela e reflexiva

Priscilla Avelino1987 views

O que torna seres humanos de fato “humanos”?

Seria nossa capacidade de raciocínio? A forma como interagimos, compreendemos e somos compreendidos? A capacidade que temos em construir, criar e produzir coisas que facilitam nosso dia a dia e nos permitem ter qualidade de vida? Seria nossa capacidade de amar e nos dedicar a busca eterna pela felicidade? Calma, você não está na página errada. Esta introdução questionadora pode parecer um tanto filosófica, mas é parte da alma que faz Planeta dos Macacos: A Guerra ser um filme incrivelmente lindo, não somente no visual que nos apresenta, mas no que nos põe a refletir.

Esse é o mais recente filme da franquia lançada pela 20th Century Fox. Sua estreia no Brasil ocorre em 03/08/2017. É o último filme de uma trilogia iniciada em 2011 sob o título de Planeta dos Macacos: A Origem e dirigido por Rupert Wyatt. Em 2014, conferimos sua sequência direta, Planeta dos Macacos: O Confronto de Matt Reeves, que assumiu a direção do segundo até o desfecho do terceiro. Esta trilogia se propõe a narrar uma história que se passa antes dos filmes clássicos lançados nas décadas de 60 e 70, e retrata com maestria a surpreendente consequência imprevista causada pela ação do homem na tentativa de apresentar uma solução para problemas da sociedade.

Observe que mesmo tendo sofrido mudanças na direção, de 2011 para 2014, a franquia não perdeu sua qualidade técnica, muito menos a linearidade e coerência de continuidade ao contar a história do protagonista símio Cesar. No primeiro filme vimos seu nascimento e maturação. No segundo, vemos um Cesar mais maduro, mais preocupado com o bem-estar, segurança e o futuro de sua comunidade e família. Sua inteligência é reconhecida por todos ao seu redor e isso o valoriza como um líder justo.

Em Planeta dos Macacos: A Guerra, temos um Cesar mais velho, aparentemente cansado, mas ainda sim respeitado pela comunidade símia. Abrimos o filme com uma fortaleza criada na floresta, que abriga macacos inteligentes e armados. A representação de uma terrível ameaça a continuidade da vida humana na Terra.  Somos apresentados a uma milícia liderada por um homem seriamente convicto de que macacos transmitiram a doença que exterminou a maioria dos seres humanos e, assim, precisam ser eliminados. Aqui vemos, em um primeiro embate, que Woody Harrelson está à altura de ser um antagonista de peso confrontando Cesar.

Mais do que o embate em si, o mais marcante neste filme são os motivos que levam ambos ao conflito, ou seja, o pano de fundo para o título deste longa é muito mais relevante do que o confronto de exércitos. Ao chegar no cinema temos a expectativa de tensão do início ao fim, mas somos surpreendidos pela forma como o roteiro é conduzido e percebemos que a guerra é muito mais interna e psicológica do que de fato armada em um campo de batalha.

O filme tem uma sintonia muito boa ao demonstrar cenas mais emocionais. No transcorrer do filme somos por muitas vezes pegos sentindo o que os personagens símios sentem, naturalmente exercemos a empatia porque percebemos neles características humanas muito fortes como compaixão, amizade, carinho, amor, raiva, vingança, justiça. Todas estas características ficam muito em evidencia quando a câmera se aproxima de seus rostos e não conseguimos distinguir no olhar se aqueles macacos são de verdade ou não, e isto acontece desde o primeiro filme da trilogia. O realismo é incrível! Mostra que a produção teve uma preocupação grande em usar o melhor da tecnológica gráfica (CGI) disponível na criação destes longas para que pudéssemos nos envolver na história, acreditar nos personagens e sentir a emoção que eles sentem. Detalhe, há uma surpresa sensacional no filme (um novo personagem, interpretado por Steve Zahn, que nos encanta com sua personalidade peculiar). Sua participação vale um terço do ingresso do filme.

Planeta dos Macacos – A Guerra é um filme de 2h20 de duração e já é um dos grandes filmes lançados em 2017. O conjunto da obra (personagens, direção, efeitos, produção, musica…) não decepciona o espectador. Ao termino, ficamos com a sensação de missão cumprida e também aquele gostinho de quero mais. Torcemos agora para que a maestria de produção deste último longa seja percebida e premiada à altura de sua qualidade. E quem sabe não é desta vez Andy Serkis leva um Oscar por sua incrível atuação? Vamos acreditar que sim.

Trilha sonora de “Planeta dos Macacos – A Guerra”: