Resenha: o Estado Policial chega a Jerusalém em "Ressurreição", que investiga a morte de Cristo • MAZE // MTV Brasil
FilmesPostsResenhas

Resenha: o Estado Policial chega a Jerusalém em “Ressurreição”, que investiga a morte de Cristo

Luiz Henrique Oliveira1625 views

Todo ano é a mesma coisa. Na época da Páscoa, filmes são lançados sobre a crucificação e morte de Jesus Cristo, sob os mais diversos ângulos, desde séries modorrentas exibidas na Rede Vida até obras que hoje são consideradas clássicas como A Paixão de Cristo (2004, de Mel Gibson) e A Última Tentação de Cristo (1989, de Martin Scorsese). Cada uma dessas produções trouxe uma visão sobre a mesma história. O que faz o diretor Kevin Reynolds em seu Ressurreição, filme recém lançado aqui no Brasil, é uma variação que poderia soar como novidade para algo tão batido e repetido.

Pôster de "Ressurreição". (Risen, 2016)
Pôster de “Ressurreição”. (Risen, 2016)

Porém, o que se vê é uma espécie de CSI Jerusalém – a investigação sobre a morte de Jesus nos mesmos termos de investigações do FBI americano. O que não soa muito agradável.

O filme conta exatamente isso: depois da crucificação, Pôncio Pilatos destaca um oficial romano para investigar o desaparecimento do corpo do Messias, que até então consideram como uma ação de seus seguidores. A partir daí, o tal oficial passa a buscar pistas do que pode ter acontecido, e tromba com revelações que abalam a sua fé.

Uma história que poderia ser boa – se melhor trabalhada e com situações menos embaraçosas. Apesar de Joseph Fiennes (também conhecido como “o irmão de Voldemort”) fazer o possível com seu papel, Clavius, o romano destacado para investigar o ocorrido com Jesus, o filme tem um desenvolvimento que poderia ter sido feito em alguma série policial de investigação. Clavius segue os discípulos de Jesus para ter certeza de que o corpo não foi roubado e seus diálogos, assim como os de seu parceiro de investigação interpretado pelo Tom Felton (Harry Potter) são tão… hm, contemporâneos que fica dificil acreditar que o que vemos em cena se passa há mais de dois mil anos. Simplesmente tira a seriedade do longa.

Mas há aspectos positivos: a cenografia é espetacular, reproduzindo com bastante fidelidade histórica o ambiente da Galiléia na época da crucificação; assim como a fotografia, meio em sépia, que dá o tom de antiguidade, de peça histórica ao filme. Mas não são lances técnicos que conseguem salvar a produção inteira: os personagens abrem a boca, tudo desmorona.

Quem sabe o diretor Reynolds precisa se inspirar nas séries modorrentas da Rede Vida para fazer seu próximo filme bíblico. Ou fazer seus atores falarem em aramaico, como Mel Gibson fez. Com certeza ele teria inspirações melhores para sua realização.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.