RESENHA | "Sai de Baixo: O Filme" mantém a graça do seriado e apela para a nostalgia • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Sai de Baixo: O Filme” mantém a graça do seriado e apela para a nostalgia

Luiz Henrique Oliveira703 views

“Sai de Baixo: O Filme” é o que os fãs desse programa esperaram por muito tempo. Quem acompanhou a sitcom “Sai de Baixo” durante a década de 90 e comecinho dos anos 2000 ansiava pelo retorno dessa família que de exemplar não tem nada. Em tempos bicudos como esses que vivemos, era um perigo trazê-los de volta. Afinal, seria pertinente ver Caco Antibes desdenhando de pobres na atual situação do Brasil bolsonarista? O filme, lançado na última quinta, mostra que sim.

O longa, dirigido por Cris D’Amato e roteirizado por Miguel Falabella, traz de volta todos os personagens que encantaram o Brasil nos últimos vinte e poucos anos. Quer dizer, quase todos: Edileuza, personagem de Cláudia Jimenez, não retornou. Além dela, Neide Aparecida, papel de Márcia Cabrita, também não surge na narrativa: a atriz morreu em decorrência de um câncer de ovário em 2017. Em diferentes momentos, as duas estiveram escaladas para voltar ao Arouche, e a desistência de uma e a morte de outra obrigou Falabella a alterar o texto. No entanto, mesmo com todos os remendos, “Sai de Baixo: O Filme” ainda é bastante divertido.

No longa, Caco Antibes (Falabella) está preso há dois anos. A sua saída é comemorada por Magda (Marisa Orth) e por seu filho Caquinho (Rafael Canedo). Entretanto, a família agora mora de favor no pequeno apartamento de Ribamar (Tom Cavalcante). Junto a eles, ainda estão Cassandra (Aracy Balabanian) e Cibalena (Cacau Protásio). Essa última é uma pedicure falastrona, companheira do porteiro. Quando finalmente reencontra a família, Caco percebe a pindaíba em que vivem. O apartamento foi perdido por conta de um dos golpes dele, e agora ele precisa arquitetar um novo trambique para livrá-los da situação.

 

“Sai de Baixo: O Filme” exala nostalgia – e traz algumas mudanças

Pôster de “Sai de Baixo: O Filme” – Foto: Reprodução/Imagem Filmes

Como se vê, o roteiro de “Sai de Baixo: O Filme” aposta na anarquia. Quase nada faz sentido. O humor continua politicamente incorreto. No entanto, Falabella percebeu que os tempos são outros. As tiradas com pobres praticamente inexistem – exceto uma, feita na prisão e já vista nos trailers. E quando ele usa seu famoso bordão “cala a boca, Magda”, ela se revolta e o coloca no lugar. Do jeito dela, falando errado como sempre, mas é notável que o faça.

Por outro lado, agora com a liberdade que o cinema proporciona, os palavrões aumentaram. Há muita piada desse tipo em “Sai de Baixo: O Filme”, e que em geral casam bem com a história. Entretanto, o que o longa faz mesmo é exalar nostalgia, da época em que o programa ainda estava no auge. Os tempos mudaram, os anos passaram, mas os atores não perderam a química que fez de “Sai de Baixo” o sucesso que foi.

Miguel Falabella e Marisa Orth ainda fazem uma dupla incrível. Tom Cavalcante continua careteiro e forçado, mas tem seus momentos. Principalmente quando está no papel de Tia Jaula, a inconveniente parente que também mora no apartamento de Ribamar. Uma cena dela em específico, dentro de um banheiro chique, é excelente e mostra a força da comédia física de Cavalcante. Os coadjuvantes estão bem: Lúcio Mauro Filho, também em papel duplo, chama a atenção. Por fim, Luis Gustavo e Aracy Balabanian não fazem mais do que uma participação afetiva.

Em suma, “Sai de Baixo: O Filme” se assume como uma chanchada, criada para fazer rir das situações absurdas que provoca. O sucesso de bilheteria parece garantido. Com isso, podemos esperar novas aventuras dessa família desajustada, mas encantadora.

 

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.