Resenha: "Star Wars - O Despertar da Força" • MAZE
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Resenha: “Star Wars – O Despertar da Força” é um evento, um clássico instantâneo

Luiz Henrique Oliveira1264 views

Qualquer coisa que se diga sobre a história pode soar spoiler, então fica apenas um resumo: 30 anos depois de O Retorno de Jedi (o último filme da Antiga Trilogia), surge uma nova organização baseada no antigo Império, chamada Primeira Ordem, para quem stormtroopers como Finn (John Boyega) servem como soldados. Uma sequência de eventos acaba o unindo ao piloto Poe Dameron (Oscar Isaac) e a catadora de lixo Rey (Daisy Ridley), mais o dróide BB-8, que carrega em si pistas importantes sobre o chamado Último Jedi. E quando encontram-se com General – antiga Princesa – Leia (Carrie Fisher), Chewbacca (Peter Mayhew) e Han Solo (Harrison Ford), envolvem-se em uma história maior do que eles, que pode envolver o destino de toda a Galáxia. Não é preciso mais do que isso para sair de casa imediatamente e ir ver Star Wars: O Despertar da Força.

Nas últimas semanas, muita gente ouviu a reclamação de que “não aguentava mais ouvir falar em Star Wars”, como se fosse apenas uma modinha de verão, que aparece de forma fulminante e cai no esquecimento na mesma proporção. Ingênuos. A saga criada por George Lucas e lançada em 1977 é um dos grandes pilares da cultura popular, influenciando praticamente tudo que veio depois. O que houve de seriedade em uma ficção como 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, teve de emoção em Uma Nova Esperança – título do primeiro dos seis filmes lançados até hoje, 17 de dezembro, quando finalmente estreou a sétima parte ansiosamente aguardada por muito tempo. Nos anos 70 as pessoas nem desconfiavam, mas estavam presenciando um momento importante, que entrou para a História.

Corta para 2015. George Lucas sabiamente se desapegou da sua cria e vendeu os direitos da saga para a Disney, que resolveu bancar mais uma série de filmes e prováveis spin-offs. O diretor escolhido foi J.J. Abrams (produtor de Lost e diretor dos dois primeiros Star Trek), e não poderia haver uma escolha mais acertada: ele rejuvenesceu a história, unindo clássico e atual sem deixar de agradar gregos e troianos. Seu estilo de direção parece ter sido feito para filmes como esse: agitado, sem pausas para respirar, com enorme carga dramática e alguma coisa de humor e suspense, e com grande sabedoria para unir efeitos práticos com efeitos computadorizados. Abrams tem aqui o seu melhor trabalho até o momento – com a perspectiva de que ele pode se superar. E para isso reuniu uma equipe fantástica de técnicos e atores, todos fenomenais, sem qualquer possibilidade de destacar nenhum. Por isso, na falta de uma indicação entre esse grupo, é melhor então dar espaço para John Williams, o veterano compositor que fez todas as trilhas de Star Wars, ganhando um Oscar pela sua primeira colaboração em 1978, e que já pode separar um espaço na sua estante para receber mais uma premiação por seu trabalho neste filme.

Por fim, os fãs saem do cinema agradecidos. Lucas decepcionou muita gente com os “prequels” que lançou entre 1999 e 2005, que comprovaram que ele pode ser bom de imaginação, mas como diretor beirava o desastre. Star Wars: O Despertar da Força recoloca a saga no mapa, faz renascer os filmes-eventos que não tinham um representante à altura desde 1997 com “Titanic” e implanta no coração de uma nova geração as aventuras e tragédias dessa galáxia muito, muito distante. Talvez as pessoas hoje nem desconfiem, mas estamos presenciando um momento importante, um novo marco na nossa cultura. E melhor: não só presenciamos a História passando por nós, como também podemos dizer, daqui a alguns anos, que fizemos parte dela.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.