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Resenha | Em “Stranger Things”, nova série da Netflix, nada se cria, tudo se recicla

Léo Jannuzzi2 comments3381 views

Pode parecer irônico, mas a nova produção original da Netflix não é tão original assim. Stranger Things, a série em oito capítulos liberada para os assinantes do serviço no fim de semana passado é, na verdade, uma gigantesca – e muito bem costurada – colcha de retalhos. Os Duff Brothers, que escreveram e dirigiram a série, tomam emprestados referências, arquétipos e a estética dos anos 80 para contar uma história que mistura aventura, terror e ficção.

A coisa toda tem início no ano de 1983, quando um menino desaparece em circunstâncias misteriosas na cidade de Indiana, nos Estado Unidos. A partir daí, a busca por respostas sobre o sumiço do pequeno Will (Noah Schnapp) leva os familiares, os amigos e a polícia local a participarem de uma trama extraordinária, envolvendo experimentos secretos do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha bastante peculiar.

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Mesmo pecando em originalidade, a série possui muitos pontos positivos que roubam à cena, como as atuações do elenco; todo ele muito bem escolhido e esbanjando uma química inegável. No grupo das crianças, que é super fofo e muito bem entrosado, a garotinha Eleven (Millie Brown) se destaca pelo trabalho de expressão facial e pela habilidade de transmitir emoção em poucas palavras. Entre os adultos, Winona Ryder está excelente como a desacreditada mãe do desaparecido, enquanto o delegado Hooper (David Harbour) encarna muito bem o típico anti-herói que não consegue superar o passado. O grupo dos jovens, embora bastante estereotipado, traz algumas boas surpresas como o bad boy Steve (Joe Keery) e o esquisitão Jonathan (Charlie Heaton).

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A parte musical também é super caprichada e a trilha sonora é daquelas que não tem como não prestar atenção. Ao longo dos episódios, o repertório alterna sintetizadores climáticos característicos dos anos 80 e clássicos da década como “Africa”, do Toto, “Wainting for a Girl Like You”, do Foreigner e “Should I Stay or Should I Go”, do The Clash, que tem um papel importante na história.

Ouça as músicas da trilha sonora de Stranger Things:

As referências são quase um personagem à parte na série. São inúmeras ao longo dos episódios, uma mais terna que a outra; e, inegavelmente, assistir à Stranger Things proporciona um quentinho no coração em diversas ocasiões. Porém, tudo – realmente TUDO – que acontece na série tem um gosto de deja vú e remete a algo que muito provavelmente você já viu ou leu.

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A trama reverencia, principalmente, os diretores Steven Spielberg (Poltergeist, E.T. – O Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau) e John Huhges (Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado); o escritor Stephen King (Carrie, a Estranha, O Iluminado, Conta Comigo); as sagas Guerra Nas Estrelas e Senhor dos Anéis, Caverna do Dragão e filmes como Alien: O Oitavo Passageiro e Goonies.

Mas, ainda que a intenção seja fisgar o público pela nostalgia, a série é capaz de entreter não apenas as pessoas que realmente viveram os anos oitenta e que vão se deliciar com as lembranças e citações. No fim das contas, “Stranger Things” também funciona para quem não viveu a época e não vai pescar as referências, simplesmente como uma história divertida e muito bem contada.

Assista ao trailer de Stranger Things:

 

Colaboração de Léo Jannuzzi.

Léo Jannuzzi
Jornalista, servidor público, músico amador, leitor voraz, entusiasta da cultura pop e usuário de aplicativos de relacionamento.