RESENHA | "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas" • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” diverte, mas não surpreende

Priscilla Avelino1907 views

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é um filme baseado em uma clássica HQ francesa dos anos 60 que possui temática e estética que inspirou Star Wars. Dirigido pelo cineasta francês Luc Besson (O Quinto Elemento, 1997; Lucy, 2014), o longa conta a história de um agente espacial chamado Valerian, interpretado por Dane DeHaan (O Espetacular Homem Aranha 2, 2014), que luta em defesa da Terra e seus planetas aliados que são atacados por bandidos intergalácticos. Em suas aventuras, Valerian conta com a ajuda de sua parceira Laureline, interpretada por Cara Delevingne (Cidades de Papel, 2015), por quem é apaixonado.

Quando começamos a assistir Valerian, logo notamos algo familiar. Poderia até arriscar a dizer que “familiar” é a melhor definição para este filme dado o conjunto de referências que nos mostra e é possível provar isto logo em seus primeiros minutos. Aqui, somos ambientados no filme e entendemos que com o passar dos anos a raça humana avança significativamente na tecnologia e na comunicação com demais seres vivos pelo universo. Nestes primeiros instantes já é possível identificar elementos já vistos em Guardiões da Galáxia, Star Trek e Star Wars. O ponteiro de expectativa do espectador, fã de cultura pop, que provavelmente não tinha lido sequer a sinopse do filme vai dar uma alavancada positiva, pois nestes primeiros instantes é possível ser seduzido pelo carisma das cenas que nos mostra personagens divertidos, diferentes e criativos. Não fosse o bastante para um início promissor, ainda temos a sorte de sermos envolvidos por uma clássica música de David Bowie que tem tudo a ver com o clima espacial proposto. Ponto muito positivo no conjunto!

Ao passar da história vamos percebendo que os efeitos visuais são o grande acerto deste filme. É possível perceber a qualidade de produção quando vemos personagens muito bem arquitetados, com estética bela, realista. Vemos a qualidade gráfica muito bem aplicada aqui. A pluralidade de personagens também ajuda muito, dá asas a nossa imaginação, nos mantem entretidos com a diversão.

Um momento impressionante é quando conhecemos o lindíssimo planeta Mul, de ar paradisíaco e cores vibrantes, curiosos habitantes de traços humanoides, com movimentos que lembram (lá no fundo) modelos de passarela, mas que possuem hábitos e cultura fortemente singular. Nesta apresentação é possível termos mais uma alusão a um clássico já visto nas telonas: Avatar (2009) de James Cameron. O design, o 3D, os elementos, tudo é muito bonito e impressiona por ficarmos curiosos com o que vai acontecer, mas não com a originalidade do enredo. Assim, mais uma vez somos flagrados pelo sentimento “já vi isso antes” durante a apresentação.

Tudo é bem interessante até conhecermos os protagonistas da história e seu contexto. Valerian, o agente aventureiro que dá título ao filme, é um jovem despojado, um misto de Indiana Jones com James T. Kirk, rotulado como mulherengo descompromissado por sua parceira autossuficiente Laureline. Valerian passa boa parte do filme na ânsia de conquistar Laureline em meio a missão difícil de proteger uma estação espacial e ajudar o povo de Mul a recuperar o que lhe foi tomado.

Neste ponto, é incontestável que a interação entre os personagens principais torna-se um fator decepcionante no longa. Dane DeHaan (Valerian), embora se mostre bem à vontade no papel, não transmite o carisma que seu personagem induz, como um “Han Solo”, por exemplo, e seu romance com Cara Delevigne (Leureline) se mostra sem entrosamento, sem a química emocional que daria equilíbrio a trama. Talvez pelo perfil dos atores… que aparenta ser voltado mais para o drama como no caso de Dane Dehaan, ou, por exemplo, Delevigne pelo fato de ser uma jovem atriz que mostra que suas habilidades ainda estão claramente sendo desenvolvidas. Aliás, temos neste filme uma total desarmonia no aproveitamento de atores de renome ou mesmo novatos. Rihanna tem uma belíssima e curta aparição no filme, em um momento paralelo da trama que poderia ser melhor mostrado no decurso da trama principal. Ethan Hawke faz um personagem caricato, deslocado, praticamente desnecessário e isso é triste para um ator de alto calibre.

Valerian e a cidade dos mil planetas é um filme esteticamente muito bonito. Não decepciona na apresentação e seu orçamento altíssimo (pois é o longa mais caro da história do cinema francês) fez juz a um produto de alta qualidade, mas temos que entender que nem só de visual vive um bom filme. É preciso entregar um conjunto bem harmonioso e produtivo, com um conteúdo rico, bem coeso, com interpretes bem escolhidos e bem aproveitados, com diálogos que não sejam vazios e que transmita ao público a verdade e o sentimento daqueles personagens ali representados. É divertido, vale a pipoca e o refrigerante, mas não se define como um filme marcante.