Resenha: "Everything Is 4" e o mundo pós-Wiggle³ de Jason Derulo • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: “Everything Is 4” e o mundo pós-Wiggle³ de Jason Derulo

João Batista1 comment2444 views

Não é preciso fazer uma pesquisa muito aprofundada sobre Jason Derulo para se dar conta de que os trabalhos anteriores à era Tattoos/Talk Dirty são infinitamente melhores. Apelativo demais ou raso demais, havia algo que não casava com o mesmo Jason de “Whatcha Say” e “Don’t Wanna Go Home”, e era essa mesma suspeita que alimentava o receio acerca do até então próximo álbum do rapaz.

A quarta parte da discografia do rapaz, batizada criativamente como Everything Is 4, foi lançado no começo de junho e traz como carro-chefe o hit “Want to Want Me”. Mesmo não sendo A favorita, ela ganha pontos por não ser tão sexuada – dá pra assistir de boa ao clipe num almoço de domingo em família, por exemplo. A faixa seguinte, “Cheyenne”, é o segundo single oficial do disco, e é uma grata surpresa. Pegando carona na onda de reviver os anos 80 e 90, a música remete ao estilo tipico da época com sintetizadores.

O disco rende momentos sensuais, como a slow jam “Love Like That” e até a já mencionada “Cheyenne” – cada uma em sua sonoridade. Além dessas, era meio óbvio que Jason não iria desapegar da fórmula de sucesso e tratou logo de encomendar “Get Ugly” e “Pull-Up” que, apesar de bem divertidas, remetem bastante ao estilo “Wiggle” de viver a vida.

Por outro lado, as participações especiais aparecem cheias de boas intenções para colocar algumas cerejas no bolo. Meghan Trainor chega toda espevitada em “Painkiller”, enquanto Keith Urban ajuda a transformar “Broke” uma das faixas mais legais do cd junto com a lenda Stevie Wonder – que contribui com um solo de gaita arrasador. Já a musa latina Jennifer Lopez dá o ar da graça na tropical “Try Me”. Mas apesar das figuras já conhecidas, é “Trade Hearts” que não deve passar despercebida: mesmo sendo totalmente desconexa do álbum, Julia Michaels (a voz de “Straight Into the Fire”, do dj Zedd) ajuda Jason a revisitar um pouco dos seus trabalhos antigos e não muito comerciais, entregando uma mid tempo encantadora.

Num consenso geral, todas as músicas são boas, individualmente. O problema vem quando chega a hora de avaliar o quesito coesão. O debut autointitulado é super romântico; Future History oscilava entre o eletropop e o R&B, mas dava pra levar até o final porque é um cd bastante radiofônico; Tattoos e Talk Dirty são do jeito que são (melhor não comentar), mas ainda assim conseguem ser lineares dentro de suas propostas. Isso não acontece em Everything Is 4. Uma teoria que faz sentido é o fato de Jason e sua equipe terem ficado um tanto perdidos depois da reviravolta na carreira do rapaz, e se depararam num estágio meio “tá, o que vamos fazer daqui pra frente?”. Mas, conforme os exemplos citados, Jason tem crédito na casa com todos os seus feitos fonográficos. Além do mais, ele começou a era 4 com duas boas escolhas para single, então é mais que compreensível que o cara mereça uma segunda chance. Vamos acompanhar.

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João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.