Resenha: "O Exterminador do Futuro: Gênesis" (Alan Taylor, 2015) • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: “O Exterminador do Futuro: Gênesis” (Alan Taylor, 2015)

Sarah Lenievna1911 views

O Exterminador do Futuro is back. Após seis anos do lançamento do último filme da franquia (o sofrível Exterminador do Futuro IV – Salvação, com Christian Bale e sem Schwarzenegger), chega as telonas nessa quinta (2) o novo episódio da saga da família Connor, Exterminador do Futuro: Gênesis. Pelo título, já dava pra perceber que a intenção dos produtores do filme era estabelecer um novo começo pra série, iniciada com sucesso no ano de 1984. Se a intenção foi nobre ou apenas monetária não sabemos, o que se sabe é que o resultado em tela é bem decepcionante e promete não agradar os fãs mais fervorosos da série do tio Arnold.

No novo filme, Sarah Connor (Emilia Clarke, a Daenerys Targeryen de Game of Thrones) está de volta, não como uma mocinha indefesa, mas uma mulher treinada desde os nove anos pelo cyborg T-800 (Arnold Schwarzenegger), decidida a voltar ao ano de 1997 para evitar o chamado “Dia do Julgamento”, dia esse em que todas as máquinas do mundo se tornariam conscientes e começariam o extermínio de todos os humanos na Terra. Seu filho, John Connor (Jason Clarke), envia um representante do futuro, seu braço-direito Kyle Reese (Jay Courtney) de volta ao passado, para proteger Sarah e impedir que ela morra, para que no final das contas o herói da Resistência contra as máquinas (John) possa nascer.

Quem assistiu o primeiro filme da franquia vai notar de cara a semelhança no enredo. O início do longa, não por acaso, é idêntico ao clássico de 84. Mas as semelhanças param por aí. O que se vê em sequência mais parece uma paródia dos filmes anteriores: um Schwarzenegger de 67 anos sendo chamado de “Papi” e fazendo caretas pra tentar ser engraçado. Um desrespeito com o velho Arnold. Depois desse filme, tenho a sensação de que muito da essência da história se perdeu. Sabe aquele ar vintage dos primeiros filmes de ficção científica? Pois é, já era.

Carregado em cenas de humor, o novo Exterminador não parece querer ser levado à sério e nem tem a intenção de respeitar seus antecessores. O foco é quase que total em Sarah (personagem que já havia tido um desfecho no volume III da série) e no seu par romântico, Kyle Reese (que cumpre seu papel no primeiro filme e tem uma pequena aparição no segundo). Além do fraco enredo, o grande problema da produção foi a escolha do vilão da vez. Um personagem querido e icônico sofre um grande revés e deixa mais perguntas que respostas sofre o futuro da franquia. Sério, é frustrante.

Mas não apenas de frustrações vive o novo Exterminador do Futuro. Há boas cenas, como o impasse vivido por Sarah Connor  para descobrir quem é o verdadeiro Kyle, e a sequência que se desenrola na ponte de São Francisco, eletrizante. Os cyborgs continuam muito parecidos com os dos filmes anteriores, principalmente no processo de regeneração, e as armas, muito mais letais, contam com mais efeitos sonoros e visuais. Tecnicamente, o filme cumpre seu papel. Já o elenco não compromete. Tanto Emilia Clarke quanto Jay Courtney estão bem nos papéis. O longa ainda conta com a participação de J.K. Simmons (oscarizado por Whiplash) roubando a cena todas as vezes em que aparece.

O Exterminador do Futuro – Gênesis, deixa uma grande pergunta no final: qual será o futuro da série? Poderá ele ser escrito indefinidamente, como promete uma das frases mais famosas da franquia, ou já passou da hora de uma conclusão? Cabe a cada um responder. Será que um novo começo é, de fato, uma boa ideia? E, se essa foi a derradeira conclusão, não anula todos os filmes anteriores?  Enfim, só o tempo dirá. Hasta la vista, baby!

https://www.youtube.com/watch?v=B2IGusucyIA

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.