Review: "The Desired Effect" o reluzente álbum de Brandon Flowers • MAZE // MTV Brasil
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Review: “The Desired Effect” o reluzente álbum de Brandon Flowers

Sarah Lenievna1653 views

Espere todo mundo sair de casa. Fique sozinho (a) e tranque a porta. Feche as janelas também, pra não assustar os vizinhos (caso você cante mal) ou simplesmente para não acharem que você enlouqueceu. Esquece, deixe as janelas abertas. Ninguém tem nada a ver com a loucura alheia. Ou com a falta de talento musical. Tudo certo? Agora coloque Desired Effect pra tocar. Se for no celular, ponha os fones de ouvido, eles são muito necessários. Aperte o play.

Agora dance pela casa. Ou pelo quintal, dependendo do atrevimento. Nesse caso, destranque a porta. Dance, dance como se você tivesse um milhão de reais na conta bancária. Dance como se o grande amor da sua vida finalmente tivesse chegado. Dance como se o momento pudesse ser eterno. Só dance.

Epifanias à parte,  Desired Effect é talhado para estes momentos. É leve, é empolgante, é sensível e é melancólico, tudo ao mesmo tempo. Em suma, o segundo álbum da carreira solo de Brandon Flowers é bom pra c******.

Não espere algo parecido com o álbum de estreia do músico, Flamingo, de 2010. Muito mais inovador que seu antecessor, Desired Effect tem um conceito muito mais claro e temporal; Flamingo, ao contrário, parece de fato algo escrito e produzido no século XXI. Há semelhanças com a sonoridade do The Killers? Claro. São muitos anos de banda, difícil passar sem influências. Elas estão lá em “Untangled Love”, com suas batidas alternadas e a busca por um amor descomplicado e na suplicante “I Can Change for You”, uma das melhores músicas do cd. Mas o toque pessoal de Brandon está presente e muito vivo, gritando no ritmo e composição das letras.

A motivadora “Dreams Come True” dá o pontapé inicial e o tom do cd. Tudo está bem, tudo vai ficar bem. Por favor, dance e não desista. Apenas não desista. A faixa que se segue, “Can’t Deny My Love”, talvez a melhor do álbum, é a definição de uma autêntica “balada dos Anos 80”.  Feche os olhos e tente imaginar um mundo mais colorido, com polainas e ombreiras, e imagine essa música tocando em uma tarde quente de verão. O encaixe é tão perfeito que assusta.

À propósito, a influência oitentista está presente em cada letra, em casa melodia, em maior ou menor grau, ao longo de todo o cd. Quem diria…em plenos anos 2015, as baladas românticas à la Duran Duran estão de volta. Será que o público se cansou de tanto bate cabelo e auto-tune?

Com classe, Brandon circula pela ótima “Never Get You’re Right”, com sua melodia romântica e letra realista e crítica, passando pela dançante “Diggin’ Up Your Heart”. “Between Me And You”, a mais linear do álbum talvez seja, justamente por isso, a mais fraca dentre as faixas. No meio de tanta coisa boa, ficou deslocada. O mesmo serve para “The Way It’s Always Been”, faixa que encerra o “Desired Effect”, e sofre da mesma linearidade e “morneza” da anterior.

“Still Want You”, com palmas cadenciadas e backing vocals no refrão reforça a imagem que define o álbum, como um todo: alguém muito arrependido, desesperado pra tentar de novo. No amor, na vida, ou nos dois, vai da interpretação de cada um. Mas é “Lonely Town” que de fato contextualiza a epifania lá do início do texto. Não à toa, o clipe oficial da canção descreve a mesma situação. Não dá pra parar de ouvir.

“Desired Effect” é um álbum de 2015, com sonoridade dos anos oitenta e reluzente, do início ao fim. Sequer a arte de capa esconde a intenção de Brandon. Com fonte similar a usada na capa de “Thriller”, clássico máximo do eterno Michael Jackson, e uma foto sua em preto e branco um pouco desfocada, de primeira, o álbum já denota o ar relaxante e despojado que as músicas proporcionam de cara. Se o tal “efeito desejado” era surpreender, Brandon alcançou seu objetivo com maestria.

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Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.